Não é de hoje que sou fã de Joe Satriani e de seu trabalho. Eu acho essa história de fazer lista de “melhores disso” e “melhores daquilo” um saco, mas ele certamente está entre os músicos que eu mais admiro. Não só pela técnica, velocidade e essas coisas, mas pela música que esse cara sempre fez.

A grande verdade é que eu, como admirador de seu trabalho, andava meio cabisbaixo com os dois últimos trabalhos de estúdio que o nosso mestre nos entregou. Um foi o Professor Satchafunkilus and the Musterion of Rock (2008) e o outro Black Swans and Wormhole Wizards (2010), ambos com nomes bem toscos e músicas extremamente cansativas e repetitivas. Isso não significa que os álbuns são ruins, mas sim que eu particularmente estava saturado (Satchurated!) da mesmice em que nosso querido amigo estava caindo.

seta

Quando fiquei sabendo que ele estava lançando um álbum novo, confesso que fiquei um pouco apreensivo e com o pé atrás com o que poderia vir. A minha curiosidade surgiu, na verdade, quando descobri que a banda havia mudado novamente, e não é só isso: Vinnie Colaiuta estaria assumindo as baquetas. Um baterista excepcional e extremamente respeitado, com uma carreira incrívelmente extensa no Jazz e no Fusion. Vinnie já tocou com muita gente do naipe de Jeff Beck, Herbie Hancock e inclusive com o eterno Frank Zappa. Completando a banda estariam então o baixista Chris Chaney, atual baixista do Jane’s Addiction e Mike Keneally nos teclados, este que por sua vez já trabalhou com vários nomes da música como James LaBrie, Wadada Leo Smith e o mestre Steve Vai. Tudo em casa!

sat2

A grande verdade é que essa renovada nos integrantes da banda fez a diferença na sonoridade deste álbum, que não é nada parecido com o que havíamos ouvido nos dois últimos trabalhos dele. Podemos sentir isso já na primeira música, que leva o nome do álbum, e já chega com um tempo “quebrado”, com varias inversões e viradas do mestre Colaiuta, que não deixou barato na hora de escrever essas linhas de batera. Destaque para a destruição da batera no final dessa música.

E o álbum segue gostoso de ouvir, sem abandonar o estilo Satriani de ser, mas ainda assim com os toques característicos de cada integrante novo na banda, e isso foi o que fez com que o álbum soasse tão fresco pra mim. Os teclados de Mike se mostram bastante presentes nas músicas e criam um ambiente bem bacana, chegando as vezes até a acompanhar a guitarra base na execução de riffs muito bem construídos, enquanto o baixo sustenta toda essa galera em pé para o mestre Satch destruir nos costumeiros ligados na velocidade da luz.

sat 3

Você, que assim como eu, andava desanimado, pensando que esses caras das antigas não conseguiriam mais se renovar e entregar algo realmente bacana dentro desse estilo “guitarrista de rock instrumental”, pode ir com tudo no Unstoppable Momentum. Ele é a milésima prova de que Joe Satriani é genial.

Newsletter Troca o Disco
Receba novidades com antecedência em seu e-mail
Seu e-mail não será compartilhado.