Sou um frequentador assíduo da virada cultural de São Paulo, não me lembro exatamente da primeira vez que fui ao evento, mas já assisti a uma porção de bons shows de artistas que conheço e de algumas surpresas que se encontra pela rua. Outra coisa muito interessante de se ver são as intervenções pela cidade, como show de luzes, filmes em prédios e até balanço colorido embaixo de viaduto já teve. O terceiro show fica por conta da parte gastronômica que é encontrada em diversidade, destacando o festival de hambúrgueres e cervejas artesanais na edição desse ano no “Minhocão”.

Uma celebração das artes em pleno velho centro de sampa, que teria tudo para dar certo se não fosse pela própria população que trata aquilo como… deixe me ver, uma balada a céu aberto? Um baile funk? Open-bar de arrastão? Um dia liberado para se usar drogas? Bom, apesar de não ter uma opinião formada sobre isso, ao contrário dos outros canais de comunicação, aqui eu vou falar um pouquinho sobre a parte boa da virada, que é a música.

Este ano foi o que tive a menor preocupação em assistir um grande número de atrações, mas me atentei principalmente a dois shows da “nova cena” da MPB, que aconteceram no Palco Líbero Badaró, em frente ao Mosteiro São Bento. No caminho em direção ao palco, encontrei um grupo de percussionistas africanos que estavam animando os que por ali passavam, chamando a galera pra dança, e com um ritmo quebrado alucinante nos seus Jambe.

Silva
troca-o-disco-virada-cultural3
Cantor capixaba que tem dois cd’s na bagagem, sendo um o “Claridão” e “Vista Pro Mar”, o músico chega com tudo na Virada, tendo passado pelos palcos do Lollapalooza 2014 e já com show marcado para o Rock In Rio Lisboa desse ano.

Chega com tudo, mas calado. Silva é um cara que demonstra ser muito tímido e não se comunica muito com o público, mas se esconde muito bem atrás do seu som sintetizado e sua bateria carregada de muito impacto no “reverb”. Um som não muito convencional mas que segue uma linha “indie” e tem uma porção de fãs por aqui, que se amontoavam na frente do palco cantando com emoção as suas canções de letras simples e românticas, com interação em coro a cada “oooOOooo” entoado pelo cantor.

O que me chamou mais atenção em seu show eram as pessoas que ali iam se aconchegando, e que talvez  assim como eu não conheciam todo o repertório. Por ser um som calmo e convidativo as pessoas se juntaram em pares para dançar, formando um clima muito intimista e divertido ao longo da ladeira abaixo, que não estava abarrotada.

Tiago Iorc
troca-o-disco-virada-cultural2
Nascido em Brasília mas criado em Curitiba, Tiago tem na mala três cd’s lançados sendo o “Let Yourself In”, “Umbilical” e o mais recente “Zeski”, além de oito hits lançados em novelas globais o que causou seu maior reconhecimento no Brasil, além de já ter tocado em festivais como o SXSW de Austin no Texas. Um dos shows mais esperados da Virada e o que eu mais esperava ver também, diferente de Silva que tocou no horário nobre, Iorc mesmo tocando domingo a tarde lotou a ladeira abaixo da Rua Líbero Badaró e as laterais do seu palco em frente ao Mosteiro São Bento.

Com abertura da canção “Um Dia Após O Outro” já dava para sentir o astral que é o show do cantor, com músicas muito positivas e românticas causando a mesma sensação nos casais que por ali estavam de darem as mãos e saírem em passos de dança. Com um repertório curto de aproximadamente 14 músicas, ele passou por músicas de seus três trabalhos e ainda não deixou de lado as suas versões de “Tempo Perdido” de Legião Urbana, que sem dúvida foi a mais cantada do show. Até os entusiastas que estavam por ali sabiam cantá-la e seguiram com “Metamorfose Ambulante”, fazendo piada com o memorável e sempre presente “TOCA RAUL!”

E após uma mescla de músicas em inglês e português, as últimas ficaram para a língua nacional e pertencentes ao seu último CD “Zeski”. Rolou “Forasteiro” gravada em parceria com o próprio Silva e “Música Inédita” gravada com a Maria Gadu. O show foi finalizado com “Sorte” uma bela canção de Caetano Veloso, que foi tocada em “fade out” e junto com os agradecimentos de Iorc que parecia estar muito satisfeito com a sua agradável tarde de domingo nublada.
troca-o-disco-virada-cultural4
Como Paulistano, eu realmente fico triste pela nossa situação atual, onde não podemos curtir em plena tranquilidade e apreciar um mega evento como a Virada Cultural, que é feito para nós, por conta da violência da cidade. Mas não tenham medo e saiam para as ruas, pois quem sabe assim, um dia a cultura vença. Quanto à música, recomendo ouvirem ambos os artistas, que apresentam uma sonoridade diferenciada. Pra quem quiser aproveitar, Tiago Iorc fará shows em São Paulo no dia 11 e 12 de junho.

Tenham uma boa vida!

  • Thamires Manoela

    Eu vou a virada cultural desde 2009, além de shows acredito na experiência de uma virada cultural, porque quem é que consegue andar pelas belíssimas durante a noite? Só na virada mesmo.
    Pra mim a virada também é uma oportunidade de ver uma banda diferente de graça, porque mesmo que shows em sesc sejam bem baratos e talz, as vezes pagar para ver algo que vc mal conhece não rola, então ir em um show de algo que vc não costuma ver ou ouvir é uma puta oportunidade, esse ano vi Uirah Heep que é um som mais pesado do que estou acostumada e Stanley Jordan, que puta que pariu porque eu nunca tinha ido em um outro show do cara, simplesmente FODA, virtuosidade, filling, presença, tudo que um verdadeiro artista tem.
    Claro que não deixe de fora um show que pra mim foi du cas foi o do Bexiga 70, a rua parecia uma pista de dança, ninguém fica parado, quem não conhece, larga mão de ser preguiço e pesquise não tem como não amar.
    Pra fechar pra mim Virada é Vida.

    • Bruno Hiago

      Concordo plenamente com você Thamires! Também assisti ao show do Stanley Jordan e ele é realmente muito bom, destaque até para a versão instrumental de Starway To Heaven que ganhou o público.

Newsletter Troca o Disco
Receba novidades com antecedência em seu e-mail
Seu e-mail não será compartilhado.