Desde os meus 10 anos fui surpreendido por sons de guitarra, quando iniciei a minha primeira aula. Um pouco depois disso, fui surpreendido novamente pelo BLUES, estilo musical no qual me aprofundei e ainda estudo assiduamente para me tornar um bluesman, bem como Stevie Ray Vaughan, B.B.King, Joe Bonamassa, e poderia terminar esse texto por aqui, apenas citando nomes. Mas eis que nos tempos do colegial fui apresentado ao John Mayer, por uma garota que me dizia ter certa semelhança com o cantor, e foi amor a primeira ouvida. Que artista da minha geração que toca blues como os grandes mestres, e ainda apresente letras incríveis? Como não gostar?

E após toda essa história do blues no qual o John mantinha sua linguagem e timbre musical, ele nos surpreende com um álbum country como o Born & Raised, que eu gosto muito, mas ouvindo, sinto uma falta de maturidade dentro do estilo, uma falta da sua própria identidade musical ali dentro, e ai surgiu há exatamente um ano atrás o Paradise Valley.

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Agora sim, Mayer está em uma nova fase da vida em ambas as partes, e até abdicou de uma vida agitada na grande cidade e foi parar em um riacho de Montana. Junto de tudo isso veio a maturidade sonora, que ele também queria ter atingido em Born & Raised, as guitarras estavam ali de novo. Muitas guitarras, inclusive, pois observarmos que não só usou a idosa Stratocaster de 60 anos como também, adicionou guitarras alemãs como a Duesenberg em seu som.

Indigena, Folcórica, Country e Blues, essa é a definição da primeira faixa do álbum “Wildfire”, após isso passamos por uma recaída de um amor antigo e uma menção ao que todos já fizemos online, que é dar aquela olhada no perfil alheio de quem já foi um amor. Vale citar os violões muito presentes lembrando ao inicio da carreira do nosso ídolo. Em “Papel Doll”, dou destaque ao clipe que também faz parte do conjunto do álbum, e que mostra uma bela senhora exibindo passos de ballet, o que condiz muito com a letra da música. Assim como “Crossroads” entrou no “Battle Studies” dessa vez ele prestou homenagem a J.J.Cale e ao blues com a música “Call Me The Breeze” e com perceptível pitada country, que foi até recentemente gravada por Eric Clapton no seu álbum “The Breeze – Na Appreciation of JJ Cale”. Agora chegamos na polêmica desse álbum a música “Who You Love”, que se fizermos o que Mayer pede e ouvirmos como se fosse apenas mais uma música do álbum. Ela soa bem e se encaixa com as outras, sendo uma canção pop com refrão marcante a la “Your Body Is A Wordeland”, mais ainda temos lá a linda Katy Perry e um termino de relacionamento muito pouco tempo após todo o marketing de lançamento que faz tudo parecer maquiado e falsificado.

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E por fim temos o enxerto vocal de Frank Ocean dando uma alusão e introdução com “Wildfire”, e a última música “On The Way Home” que nos passa, ou resume a mensagem do que é viver em Montana: a sensação de carregar esse peso nas costas, e de nunca esquecer quem somos.

Resumindo, fomos presentados com um álbum maduro, denso, fácil de ouvir, e que traz uma calma até mesmo com a sua própria capa, me sinto deitado naquela paisagem, olhando pro céu e cantando as músicas (é ótimo para ser ouvido em viagens).

“A vida não é curta, mas com certeza é pequena.
Você tem a eternidade mas não tem ninguém.
A vida não é curta, mas com certeza é pequena.
Você tem a eternidade mas não tem ninguém”.

Deixo com vocês a minha música preferida, um beijo no coração e tenham uma boa vida.

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