Há um bom tempo percebi que as pessoas, mesmo sem perceber, têm medo do tempo. Preferem não pensar em quando estiverem velhas e, quando menos se espera… O tempo passou! Ainda lembro claramente de quando tentava imaginar o quão fantástico seria quando eu tivesse 18 anos. Pois bem, mal tive tempo para respirar e estou chegando aos 32.

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Esse “medo” de envelhecer, do imperfeito, se reflete em nosso culto aos “ídolos”. Não me lembro de ter visto alguém com uma camisa do Roger Waters velho, ou do Jim Morrison/Elvis gordo, ou do Raul Seixas inchado e digno de pena, prestes a morrer (este, aliás, é um tema que posso detalhar em breve). Sempre preferimos escolher uma imagem “perfeita” dos nossos ídolos e considerá-la eterna, a versão definitiva e oficial.

Eu, como historiador, sempre escolhi considerar os “bons” e “maus” momentos daqueles que admiro como essenciais, afinal, estamos falando de pessoas, e pessoas são falhas e imperfeitas. Isso ajudou, inclusive a me imaginar velho de uma forma menos traumática. Não posso deixar de admirar meu grande ídolo da guitarra, Mark Knopfler, no auge de sua velhice. Ou o Eric Clapton, ou o Gilmour. São caras que hoje me fariam chorar num show, como qualquer fã que xinga muito no Twitter (ok, foi um baita exagero!).

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Alguns se tornaram o perfeito estereótipo do velhinho com cara de indefeso, alguns nem tanto. Outros são verdadeiros desafios à ciência pelo simples fato de ainda estarem vivos. Alguns mostram o quão saudável é assumir a velhice, outros nos mostram o quão ridículo pode ser lutar contra ela. O fato é que graças a alguns dos meus ídolos nos dias de hoje eu consigo enxergar minha própria velhice de uma forma mais tranquila, afinal, este é um dos papéis dos grandes ícones: nos dar lições de vida, como uma espécie de professores. Eu gostaria de me parecer com alguns, sem sombra de dúvida. E você? Há algum(a) velhinho(a) em quem você se inspire?

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