Cresci ouvindo música. Para cada momento existe uma trilha sonora que toca dentro do coração, acompanhando as memórias, sejam elas boas ou más. A música dispara a emoção e lembranças assim como o cheiro de um perfume, o gosto de uma comida.

Ainda pequena me lembro claramente das tardes de sábado vendo meu pai empilhar os discos em cima de uma mesinha para tocá-los durante todo o dia. Lá estavam Queen, Beatles, David Bowie, Creendence, Alphaville, A-ha e até o Pavarotti. Lembro de pegar os discos fascinada com as fotos. “The Miracle” do Queen, pra mim, era uma capa misteriosa com todos aqueles rostos colados, achava o máximo!

Esperava ansiosa pelo sábado, afinal, era dia de encontrar aquela pilha interessante. Eu, espertinha, esperava meu pai organizar os discos que queria ouvir e depois corria lá escondida para colocar os que eu mais gostava por cima, na esperança dele pegar o primeiro que visse e assim tocasse o que eu queria ouvir.
Houve uma época em que ficamos sem aparelho de som em casa, e aquilo foi muito triste, sem discos, sem música, sem diversão. Nessa época, já na adolescência, minha melhor amiga levava seu precioso mini system para minha casa para ouvirmos músicas juntas.

Não sei dizer quantas fitas cassete ouvíamos por dia, do alto da nossa rebeldia e insatisfação de adolescente ouvíamos Kurt Cobain dar voz à nossa angústia através dos seus gritos.
Da mesma forma festejávamos ao som dos Ramones, bebendo alguma coisa barata que nos desse a sensação de liberdade. Joey Ramone e sua turma com músicas curtas e direto ao ponto nos dizia o que precisávamos ouvir. O trecho “Well, I just want to walk right out of this world ‘cause everybody has a poison heart” expressava o que pensávamos da humanidade na época.
Quando minha amiga não podia ir para a minha casa me salvar da falta de música, eu esperava o momento de bom humor do meu pai, após o jantar, para pedir para ouvir música no carro. Tudo ia sempre bem, até o dia em que o carro não quis pegar porque eu descarreguei a bateria.

Um tipo diferente de banda para cada época, gostos que mudam, o amadurecimento que chega e você entende que existe mais do que três acordes e mais de uma forma de ver a vida. Que cada momento da vida tem a sua beleza e ritmo, e ele vai seguir independente da sua vontade de parar no tempo. Entende que bandas acabam, que o adeus é uma constante na nossa vida, mas que sentimentos e músicas são para sempre!

  • Legal. Me fez lembrar dos meus “Early Days” também, repletos de fitas cassete e limitações. Inclusive essa sensação de rebeldia ao beber algo barato e impossível de ser degustado nos dias de hoje. Tempos mais simples e doces. Bem-vinda, Vanessa! =)

    • Vanessa Oliveira

      Todos passamos por essa fase eu acho. Obrigada! Tempos mais simples para todos nós! =)