Em 2014, os serviços de streaming ultrapassaram a venda de Cds nos estados unidos. Houve um aumento de 29% em relação ao ano anterior no faturamento do mercado de streaming, que equivale hoje a 27% da indústria musical. Isso significa que hoje, existem muito mais pessoas dispostas a pagar por música, do que há alguns anos atrás. Até aí, tudo certo! Isso é uma coisa boa. Porém, acredito que este ainda seja somente um pequeno passo rumo a valorização da música, ou dos artistas no geral.

Para quem não sabe como funciona o mercado dos serviços de streaming, basicamente o artista recebe um valor “X” por reprodução ou execução das suas faixas disponíveis. Pesquisando rapidamente, me deparei com alguns números referentes aos valores por reprodução destinados aos músicos, nos serviços mais populares disponíveis na internet hoje. E a tristeza bateu lá no alto.

Citando apenas alguns dos mais populares em terras brasileiras, Spotify e Rdio giram em torno de R$0,01 por play. No Deezer, o play pode chegar a render cerca de R$0,005 (meio centavo) para o artista. Isso significa que se 1000 pessoas ouvirem um álbum de 10 músicas da sua banda, em alguns desses serviços de streaming, você corre o risco de ganhar no máximo cem míseros reais. No Brasil, para se ganhar o equivalente ao valor de um álbum, é necessário que se tenha aproximadamente 2500 plays. Isso faz com que apenas uma pequena porção de artistas com um número colossal de reproduções, fature algo de fato com o streaming de música. Antes que a chuva de pedras na caixa de comentários se inicie, eu compartilho da opinião de que é melhor que se receba pouco, do que nada. Principalmente se tratando de música na internet nos dias de hoje. Mas não é exatamente esta lebre que eu resolvi levantar.

Me incluo no grupo daqueles que vivem constantemente reclamando dos altos valores cobrados por ingressos dos shows aqui no Brasil. Em grande parte, por conta da organização na maioria deles. Porém, se formos contabilizar e colocar no papel, a quantidade de horas de diversão e inspiração que muitos desses artistas nos proporcionaram, pelo quanto nós retribuímos de qualquer forma que seja o seu trabalho, a coisa muda de figura.

Convido vocês a refletirem sobre o quanto gastam com música anualmente, ou até mesmo mensalmente. O valor, com certeza será menor do que você tiraria da carteira para ouvir a mesma quantidade de músicas de maneira legal há alguns anos atrás. A grande maioria de nós, amantes de música, não possui uma cópia original de todos os álbuns ou dvds que consumimos constantemente. Tem no Spotify, no Youtube, no Netflix, ou em qualquer outro serviço legal ou ilegal de reprodução de conteúdo via streaming. Porém, ainda assim, por muitas vezes nos recusamos a gastar um cascalho com uma das poucas coisas que realmente ainda dão dinheiro para os artistas, que é o show ao vivo.

Quem trabalha com qualquer atividade ligada à arte, sabe o quão difícil é ganhar dinheiro, se manter e fazer com que o seu trabalho seja reconhecido. Que o ingresso seja então, a nossa maneira de retribuir as horas e horas de diversão que estes caras nos proporcionam diariamente, ralando pra caramba pra que suas obras sejam ouvidas, respeitadas, e devidamente valorizadas.

  • rhamses

    Quando eu estava preparado para atirar pedras, vem o último parágrafo com justamente o resumo da ópera: Shows são a parada! sempre foram, sempre serão. Ainda acho que a remuneração do streaming precisa aumentar, mas isso será uma evolução natural quando o mercado internacional amadurecer para esse assunto. Enquanto isso, tem aí uma porrada de festival para gente aproveitar o/

Newsletter Troca o Disco
Receba novidades com antecedência em seu e-mail
Seu e-mail não será compartilhado.