Desde que comecei a me aventurar nessa estrada sem volta que é estudar música, me deparei com vários desafios, mas o maior deles é conseguir criar uma música própria, algo que te agrade tanto quanto aos grandes artistas que você admira e toma como ídolos. Esse questionamento não vêm apenas no pessoal, mas as pessoas a minha volta também apresentam essa curiosidade. Músicos ou apenas apreciadores de música sempre perguntam: “Como é compor?”.

A resposta mais simples e sincera é a de que não existe a fórmula da composição, mas existem caminhos facilitadores. E isso só se você realmente quiser usá-los, pois não são regras mandatórias.

O primeiro é você seguir o seu instinto, deixar que as ideias e sonoridades venham de forma natural e sem pensar muito, apenas jogando as notas e encaixando aquilo que lhe soa bem, não se preocupando se existem regras musicais que impeçam tais acordes ou melodias. Você pode até contar com a sorte nesse caminho, “rifando” as notas do seu instrumento para adquirir um bom trabalho, e para essa opção você nem precisa entender de teoria musical, basta ter um bom ouvido para viajar rumo a sua obra.

A segunda opção é utilizar do conhecimento musical. Ao estudar teoria você descobre os caminhos que a composição pode seguir em relação a tonalidade, harmonia e por fim a melodia que abraça tudo isso. Usando desse método a música primeiramente se torna números pois você está utilizando formulas prontas para chegar no som e por fim você adiciona aquela pitada de feeling até ela adquirir “vida”. Tendo definido a sonoridade que deseja obter você utiliza do seu conhecimento para ir diretamente “na mosca” em determinada escala ou acorde que já busca essa sonoridade específica. Então mesmo que não seja primordial, o estudo de teoria musical ajuda muito na hora de compor, pois se deseja uma sonoridade sombria, por exemplo, vai saber que um intervalo de “trítono (4ª aumentada (#4) ou 5ª diminuta (b5))” irá te proporcionar tal sensação.

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E a letra, vem antes da melodia? Se nos perguntarmos isso vamos acabar entrando no limbo igual ao da questão do “ovo ou da galinha”. Você pode escrever algo em qualquer papel, mesmo que seja em um guardanapo de bar, e olha que esse costuma ser um ótimo local de inspiração, e ao escrever você pode desenvolver ou imaginar a sonoridade da melodia e as vezes, o caminho inverso também acontece. Com o instrumento em mãos, você pode criar uma sequência harmônica ou uma melodia e buscar no seu acervo secreto de letras algo que se encaixe com aquilo que foi criado anteriormente de forma instrumental.

O assunto composição dentro do estudo da música é muito mais denso do que essa leve “explicação poética” que eu quis passar, mas creio que isso já de uma explicação e elucide de maneira básica as pessoas que possuem dúvidas sobre a arte de compor uma música. No final, acredito que nem mesmo os músicos sabem explicar como isso realmente funciona e cada um tem uma maneira de passar o que está em suas mentes até a execução.

  • Realmente, compor é algo tão abstrato e sem regras universais que não dá pra explicar direito. Não tenho conhecimento teórico nem posso me considerar instrumentista, mas a saída que encontro é contar com meus companheiros de banda. Geralmente eu não consigo compor quando quero. Às vezes uma música surge na mente “pronta”, apenas esperando ser posta pra fora, às vezes escrevo algum trecho que pode esperar anos para ser completado com mais letra e acordes, às vezes consigo terminar a letra rapidamente. Não há regra e a composição me parece algo espiritual: vem quando quer, some quando quer, e eu sou apenas uma espécie de “receptor”. É quase como uma possessão que, ao menos em mim, não funciona sob pressão.

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