Em breve terá início o Apple Music, o novo serviço de música por streaming da gigante da maçã, que promete abalar as estruturas do mercado e tirar a toda poderosa Spotify do trono. Para isso, ela conta com armas como uma discoteca de milhões de músicas com playlists criadas por especialistas, a rádio online Beats 1, transmitida funcionará 24 horas por dia de Los Angeles, Nova Iorque e Londres, e o espaço Connect, um verdadeiro “playground” para o artista/ banda apresentar uma música ou versão inédita, ao vivo, por streaming, e interagir em tempo real com o público. A assinatura individual lá fora custará US$ 9,99 mensais, enquanto que a assinatura familiar custará US$ 14,99. Aqui no Brasil, os valores ainda não foram anunciados, mas do Sr. Tim Cook dar uma mordida no seu bolso, ele oferecerá uma assinatura de teste gratuita por três meses.

Tudo isso é muito bonito e, como eu disse no parágrafo acima, promete abalar o mercado da música via streaming, mas… Que mercado? Ele está mesmo assim tão grande? Os números comprovam que o streaming vem sendo a principal plataforma de consumo de música atualmente, mas, de acordo com Russ Crupnick, sócio-gerente da MusicWatch, aqueles que pagam por serviços como Spotify ou Deezer são tão poucos em relação aos que consomem música pelos mesmos serviços de graça ou por outros meios digitais que eles ainda nem podem ser considerados early adopters. De fato, esses pagantes são equivalentes aos que, hoje em dia, ainda compram CDs e LPs.

De acordo com a pesquisa feita pela MusicWatch (apenas entre americanos), a maioria esmagadora das pessoas acima de 13 anos procura por serviços gratuitos de streaming como Pandora, YouTube, iHeartRadio e a própria versão gratuita do Spotify, minguando aos poucos as vendas de MP3 através de lojas como iTunes e Amazon, como mostra o levantamento feito pela RIAA.

Quando a mídia CD estava no seu auge, 80% dos americanos compravam a bolachinha prateada. Na “era de ouro” das vendas de MP3, 25% dos sobrinhos do Tio Sam compravam suas músicas da iTunes ou da Amazon. Atualmente, as formas como os americanos compram e ouvem música estão bem mais fragmentadas, como mostram os gráficos abaixo:

O tipo de lucro recente da indústria musical americana diz muito sobre o futuro promissor do streaming: se somarmos as fatias dela com a da venda de MP3, testemunhamos que 2014 foi o primeiro ano em que a venda de música digital ultrapassou, com folga, a venda de música em mídia física.

Enquanto o CD encaminha-se, derrotado, para o seu canto do ringue, uma nova batalha de mídias – ambas digitais – se inicia, e o streaming promete chegar batendo forte: além da Apple Music, que já vem fazendo barulho antes mesmo de começar seus serviços, o Spotify anunciou, recentemente, que chegou ao total de 20 milhões de usuários pagos (75 milhões no total). A empresa sueca que já pagou mais de 3 bilhões de dólares desde que iniciou as atividades desembolsou, só no primeiro trimestre de 2015, US$ 300 milhões (está bom agora, Taylor Swift?).

As cifras parecem gigantescas agora, mas acredite: perto do potencial que o mercado de streaming tem para ser, eles ainda nem começaram a brigar – mas estão se esquentando…

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