Na semana passada aqui na metrópole de São Paulo, aconteceu a já costumeira edição anual do festival Best Of Blues. Há uns 3 anos acabo frequentando o que podemos dizer que é o que mais se aproxima de um Crossroads Festival que temos aqui no Brasil. Uma celebração do Blues que sempre traz grandes nomes da guitarra, e esse ano não foi diferente com a participação de George Benson, Quinn Sullivann, Keb’Mo e Jimmie Vaughan, o irmão do lendário Stevie Ray Vaughan.

Dessa vez me contentei em apenas assistir a edição aberta que foi realizada no Parque do Ibirapuera, a estrutura e conforto do ambiente estavam ótimos, uma noite com clima extremamente agradável para se sentar na grama e ouvir boa música. O estava com uma qualidade de som que deixa muito festival “fechado” no chinelo, sem falar do telão que se estendia acima do palco pela obra do grande Oscar Niemeyer. Infelizmente cheguei atrasado e perdi o show da guitarrista Lari Basilio, mas vou dividir um pouco do que assisti dos outros shows.

Irmandade do Blues

Diretamente de Santo André essa galera tem muita história pra contar na mala e muita música pra tocar também. Uma das bandas que representam o blues no Brasil há alguns anos, mostrou que sabe unir rock’n roll à diversão. Seu repertório foi desde músicas próprias a grandes clássicos do Deep Purple, Led Zeppellin e Janis Joplin, o que fazia com o que o público um pouco mais leigo pudesse entrar na onda da música e cantarolar (muitas vezes sem saber a letra) as músicas das bandas consagradas. O ponto alto desse show foi uma homenagem a Dominguinhos, e surge uma versão blues de “Eu só quero um xodó”, surpreendendo a misturar esse hit nacional com o gênero americano, além do improviso de gaita do vocalista da banda em meio ao público.

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Quinn Sullivann

O show que eu mais esperava ver do festival era de um menino de 16 anos, isso mesmo, tinha até as espinhas da adolescência em seu rosto, mas não deixou a desejar em nada com sua Fender Stratocaster em mãos. Quinn é o “Pupilo” do mestre Buddy Guy desde os seus 8 anos, e veio ao Brasil provar que está fazendo a lição de casa muito bem. Acompanhado de músicos mais velhos e experientes, a maioria do seu repertório foram de músicas autorais mas mesmo assim, deixou espaço para Jam Sessions de longos minutos onde apresentou a criação de uma linguagem própria para tocar Blues, e claro não podia ficar de fora clássicos como o hino “Little Wing” de Jimi Hendrix.

Keb’Mo

Para encerrar a noite o artista mais experiente desse dia do festival sobe ao palco com um estilo a la Robert Johnson. Chapéu, violão, slide e não só de visual ele é feito, mas de som também, tocando a sua música “Am I Wrong” com um blues muito mais tradicional, do que os outros haviam apresentado. Keb vem com um som maduro, tocando mais baixo, mais sutil, com poucas notas mas muito expressivas. A noite enfim, é embalada por casais dançando e improvisos marcantes, em um show com clima mais romântico e fino.

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