Uma forte tendência entre músicos de longa carreira é a de lançar álbuns de covers. Parece até mesmo uma regra, já que quase todo mundo faz. Será esgotamento criativo ou apenas a chance esperada, após anos mostrando a que veio, de homenagear seus ídolos, parceiros ou de simplesmente tocar o que o próprio artista gosta e ouve em casa? Bom, isto é assunto para um outro post, mas vamos ao que interessa: o Whitesnake lançou, no mês passado, um álbum de “covers”.

Ok, não é bem um álbum de covers, já que a maioria das músicas traz a assinatura do frontman da banda, David Coverdale. É sim um cover do Deep Purple, quando o tinha ao microfone, na década de 70. A proeza de se fazer um cover de si mesmo então? Que seja. The Purple Album é uma declarada homenagem à banda que o lançou ao mundo e que, convenhamos, está entre as melhores de todos os tempos, tanto em sua fase Ian Gillan quanto na abordada aqui, com Coverdale e Glenn Hughes dividindo os vocais de forma extremamente harmoniosa.

O álbum é uma bela amostra de como o tempo não perdoa ninguém, nem mesmo o gogó que tanto já irritou Robert Plant, em crises de ciúmes quando da sua empreitada com Jimmy Page, na década de 90 (Plant o chamava de David Cover-Version). É um álbum muito bem-produzido, obviamente, e me foi bastante agradável de ouvir. A voz já não é a mesma e os tons foram alterados, o que é super natural e sinal de que o cantor sabe dos seus limites e respeita seu corpo (aprenda, Axl Rose!), mas o que realmente me fez falta foi a voz do Glenn Hughes, que fez um ótimo trabalho com seus colegas Joe Bonamassa (dispensa comentários), Jason Bonham (simplesmente o filho do homem!) e Derek Sherinian (Kiss, Alice Cooper, Dream Theater) na Black Country Communion. Os vocais dobrados e cheios de vibratos desses dois são tão marcantes quanto o também saudoso teclado do Jon Lord.

Em resumo, este disco obviamente não é melhor que os originais, nem pretende ser. As versões originais continuam sendo as minhas favoritas, mas vale muito bem a experiência e perceber as diferenças. Claro que seria bem melhor se rolassem algumas participações especiais, mas não rolou, tudo bem. O Whitesnake sempre foi uma grande banda e continua sendo. David Coverdale passou, em mais de quarenta anos, de um garoto desajeitado com um vozeirão e visual que imitavam claramente Robert Plant a uma referência para muitos, incluindo a mim. Ver sua gratidão àqueles que o lançaram ao mundo é inspirador. Ouça a todo volume!



Ouça o álbum completo, com faixas-bônus, no Spotify.

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