Com certeza ainda não conseguimos esquecer de uma das maiores tragédias ambientais que aconteceram no nosso país, o acidente na barragem de Mariana (MG). Ao acompanhar as notícias, estando distante do real problema nos dava uma certa sensação de não poder contribuir com a situação. Mas agora podemos e com apenas alguns cliques.

A música tem um forte poder de disseminar informação, e os artistas se tornam grandes ícones que são seguidos como exemplos. Fico muito satisfeito quando todo esse alcance é usado não só para o entretenimento mas também para situações de emergência como essa.

Tenho certeza que compartilhando desse pensamento, a banda Falamansa e o rapper Gabriel O Pensador unidos com o Instituto Últimos Refúgios e o Instituto O Canal compuseram a canção: Cacimba De Mágoa. A música em ritmo de forró lamenta o ocorrido no Rio Doce e todo o ecossistema que existia na região, bem como o descaso pós-acidente.

A música teve um clipe dirigido pela alemã Ilka Westermeyer e contou com a presença de vários artistas, atletas, músicos apoiando.

Cada visualização do clipe se transforma em uma doação para um fundo de assistência às famílias ribeirinhas com a finalidade de promover obras sociais comunitárias. Vamos divulgar o vídeo para arrecadar o maior número de doações através da nossa arte, a música.

“O sertao vai virar mar
É o mar virando lama
Gosto amargo do rio Doce
De Regência a Mariana

Mariana, Marina, Maria, Márcia, Mercedes, Marília
Quantas famílias com sede, quantas panelas vazias?
Quantos pescadores sem redes e sem canoas?
Quantas pessoas sofrendo, quantas pessoas?

Quantas pessoas sem rumo, como canoas sem remos
Como pescadores sem linha e sem anzóis?
Quantas pessoas sem sorte, quantas pessoas com fome?
Quantas pessoas sem nome, quantas pessoas sem voz?

Adriano, Diego, Pedro, Marcelo, José
Aquele corpo é de quem, aquele corpo quem é?
É do Tiao, é do Léo, é do Joao, é de quem?
É mais um joao-ninguém, é mais um morto qualquer

Morreu debaixo da lama, morreu debaixo do trem?
Ele era filho de alguém e tinha filho e mulher?
Isso ninguém quer saber, com isso ninguém se importa
Parece que essas pessoas já nascem mortas

E pra quem olha de longe, passando sempre por cima
Parece que essas pessoas nao têm valor
Sao tao pequenas e fracas, deitando em camas e macas
Sobrevivendo, sentindo tristeza e dor

Quem nunca viu a sorte pensa que ela nao vem
E enche a cacimba de mágoa
Hoje me abraça forte, corta esse mal, planta o bem
Transforma lágrima em água

Quem olha acima, do alto, ou na TV em segundos
Às vezes vê todo mundo mas nao enxerga ninguém
E nao enxerga a nobreza de quem tem pouco mas ama
De quem defende o que ama e valoriza o que tem

Antônio, Kátia, Rodrigo, Maurício, Flávia e Taís
Trabalham feito formigas, têm uma vida feliz
Sabem o valor da amizade e da pureza
Da natureza e da água, fonte da vida

Conhecem os bichos e plantas e, como o galo que canta
Levantam todos os dias com energia e com a cabeça erguida
Mas vêm a lama e o descaso, sem cerimônia
Envenenando o futuro e o presente

Como se faz desde sempre na Amazônia
Nas nossas praias e rios impunemente

Mas o veneno e o atraso, disfarçado de “progresso”
Que apodrece a nossa fonte e a nossa foz
Nao nos faz tirar os olhos do horizonte
Nem polui a esperança que nasce dentro de nós

É quando a lágrima no rosto a gente enxuga e segue em frente
Persistente como as tartarugas e as baleias
E nessa lama nasce a flor que a gente rega
Com o amor que corre dentro do sangue, nas nossas veias

Quem nunca viu a sorte pensa que ela nao vem
E enche a cacimba de mágoa
Hoje me abraça forte, corta esse mal, planta o bem
Transforma lágrima em água

O sertao vai virar mar (o sertao virando mar)
É o mar virando lama (o mar virando lama)
Gosto amargo do rio Doce (da lama nasce a flor)
De Regência a Mariana (muita força, muita sorte)

O sertao vai virar mar (mais justiça, mais amor)
É o mar virando lama
Gosto amargo do rio Doce
De Regência a Mariana

O sertao vai virar mar
É o mar virando lama”

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