No último dia 22 de março, a RIAA divulgou o relatório de números de vendas de música no mercado americano em 2015, analisando as receitas geradas nas três principais plataformas de comércio: a venda física, via download e via streaming. Pela primeira vez na história da indústria musical da terra do Tio Sam, o streaming foi a plataforma que mais lucrou.

A venda de música por streaming em 2015 correspondeu a 34,3% do mercado, rendeu 2,4 bilhões de dólares – é a primeira vez na história que a receita ultrapassa dos 2 bilhões. A venda por downloads fica poucos décimos atrás, correspondendo a 34%. O meio físico registrou uma queda de 10% em relação a 2014, mesmo que as vendas de discos em vinil tenham crescido 32%, rendendo 416 milhões de dólares – o maior número desde 1998. A renda por concessão de direitos de músicas para mídias como programas de TV, anúncios, videogames, filmes, etc. (que os americanos chamam de “synchronization rights” ou, simplesmente, “synch”) correspondeu a 2,9% em 2015.

A plataforma de streaming se divide em três categorias: a “inscrição paga” abrange as receitas geradas por serviços como Spotify, TIDAL, Apple Music e outros; a categoria “SoundExchange” abrange a execução de músicas através de rádios online como Pandora; e a categoria “on demand”, que abrange serviços de streaming que geram receita através de anúncios, como YouTube, VEVO e o plano gratuito do Spotify.

Com o surgimento do TIDAL e da Apple Music, o número de assinaturas feitas em serviços de streaming cresceu 40% – consequentemente, a venda de músicas através dessas assinaturas cresceu 52%, arrecadando 1,2 bilhão de dólares. A distribuição de música pelo método “SoundExchange” cresceu 4%, rendendo 803 milhões. A execução de músicas “on demand” cresceu 31%, gerando 385 milhões.

O digital foi responsável por 70% do mercado global em 2015, enquanto que em 2014, esse número chegou a 67%. As vendas via download caíram 10% em 2015 em relação a 2014, mas se somá-la com o crescimento das vendas por streaming, as vendas pelo meio digital no geral subiram 6% em 2015 em comparação com o ano anterior.

“A indústria da música é agora um negócio digital, derivando mais de 70% das suas receitas a partir de uma ampla gama de plataformas digitais e formatos. A parcela da arrecadação desses formatos digitais supera o de qualquer outra indústria criativa”, diz o presidente e CEO da RIAA, Cary Sherman, em seu artigo no Medium. “Os números refletem um negócio que continua a passar por mudanças consideráveis no comportamento do consumidor e nos modelos de negócios. As gravadoras que representamos têm abraçado essa mudança, trabalhando incansavelmente para encontrar grandes artistas e torná-los naturais ao público, trazer sua música para milhares de milhões de fãs e trabalhar com as plataformas de distribuição digital para oferecer música de novas maneiras.”

Cary Sherman, presidente e CEO da RIAA:

Embora os números sejam encorajadores, a visão de Cary ainda não é otimista para as gravadoras e os artistas: “O consumo de música está subindo rapidamente, mas as receitas para os compositores não mantiveram o ritmo. Em 2015, os fãs ouviram centenas de bilhões de músicas por stream de vídeo através de serviços digitais com suporte de anúncios on demand como o YouTube, mas as receitas de tais serviços têm sido escassas – muito menos do que outros tipos de serviços de música. E o problema está piorando.”

Em seu artigo, Cary acusa o fato de grandes empresas encontrarem brechas nas leis para distorcer as regras do mercado, a fim de evitar pagar o valor total dos direitos de execução das mesmas, como a isenção desfrutada pelas emissoras AM / FM de que pagar aos artistas e aos selos pelas músicas que tocam e o enfraquecimento da lei do Digital Millennium Copyright Act (DMCA) que, de acordo com ele, muitos serviços vêm distorcendo-a para arrecadar bilhões de dólares de receita nas costas dos artistas, compositores e selos. “Precisa de mais uma prova de que algumas distorções de mercado fundamentais estão em jogo? No ano passado, 17 milhões de álbuns de vinil, um formato encerrado que desfruta de um ressurgimento moderado, gerou mais receita do que bilhões e bilhões de streamings gratuitos on demand: $416 milhões em comparação com $385 milhões de transmissões via streaming ondemand.”

Confira o artigo completo (em inglês) e diga você: na sua opinião, o mercado digital está dando mais prejuízo para a indústria do que aparenta ou é apenas mais um ajuste a ser feito pela indústria com o tempo?

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