Pelo que tudo indica, o mercado caminha feroz e desumano para o consumo de singles. Isso é visto nos últimos números divulgados pela Nielsen SoundScan, setor da empresa Neilsen que avalia os números de vendas do mercado fonográfico nos EUA. De acordo com eles, as vendas de álbuns tiveram uma queda de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado – isso, já contando o track equivalent albums (TEA), fórmula matemática que qualifica como álbuns a venda de um determinado volume de músicas em formato digital (já expliquei por aqui como é que essa conta funciona). Esse é o menor índice de vendas de álbuns desde que a Nielsen começou a monitorar o mercado fonográfico, em 1991.

Até o momento da pesquisa, as lojas americanas venderam 100,3 milhões de álbuns – desses, 43,8 milhões de álbuns foram vendidos em formato digital (no mesmo período do ano passado, foram vendidos 53,7 milhões). O vinil continua apresentando crescimento: 6,2 milhões de bolachonas foram vendidas até agora, representando um crescimento de 11,4% em relação ao primeiro semestre de 2015.

Um dos indicadores de vendas de álbuns avaliados é o quão bem os lançamentos andam vendendo nos seus primeiros meses – se olhar por esse lado, então, a coisa piora: pela primeira vez na história da indústria fonográfica, as vendas de álbuns de catálogo lideram as vendas de álbuns recém-lançados. Em 2015, foram vendidos 44,1 milhões de unidades de lançamentos em comparação com 56,2 milhões de álbuns de catálogo (entenda-se por “álbuns de catálogo” os álbuns que foram lançados há mais de 18 meses antes da data da pesquisa). Essa comparação ainda não foi feita em 2016 (provavelmente veremos esses números atualizados mais para o final do ano), mas, no momento, Drake, Adele e Beyoncé são os únicos artistas com trabalhos recém-lançados presentes nos rankings mais importantes enquanto que, no ano passado, o clássico Dark Side of the Moon voltou a brilhar nas listas.

Drake, Adele e Beyoncé ainda têm muito a aprender com o clássico

As vendas baixas mostradas aqui não querem dizer que as pessoas estão ouvindo menos música ou menos álbuns, na verdade: o mercado de streaming anda de vento em polpa, pois, no primeiro semestre de 2016, houve um aumento de 58,7% de consumo de música por serviços como Spotify, Apple Music e semelhantes – isso quer dizer que cerca de 208,9 BILHÕES de músicas foram veiculadas online. Usando a já citada conta do TEA, isso representa cerca de 139.2 milhões de álbuns.

O fato de estarem ouvindo muita música por streaming não quer dizer, no entanto, que estão ouvindo álbuns inteiros. A tendência do público atual é a de ouvir apenas as músicas que gosta, isoladamente do trabalho onde essas faixas estão inseridas, de modo que a contagem do TEA serve, atualmente, mais como referência para remuneração dos artistas pela veiculação de suas músicas no meio digital do que necessariamente um medidor de popularidade de seus trabalhos no ambiente online.

Vale a pena esperar por mais números e estatísticas como essas no início de 2017 para comparar com esses e verificar se a tendência realmente se consolida. Se sim, talvez esteja na hora de artistas e empresários da música (re)avaliarem o conceito de álbum…

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