No último ano, a Netflix tem investido cerca de US$ 6 bilhões em cerca de 30 séries e filmes, gerando mais de 600 horas de conteúdo disponível para assistir pela TV, computador ou aparelhos portáteis (celulares, tablets, etc.). Inspirado no sucesso do serviço de filmes e séries on-demand, a britânica BBC Radio 1 oferecerá uma nova proposta de como o rádio se comportará para o atual ouvinte de música.

O controlador da Radio 1 e Radio 1 Xtra, Ben Cooper, define a sua nova estratégia phone-first (algo como “telefone primeiro”, em tradução livre) como “uma enorme e radical mudança em termos de pensamento e atitude de uma estação de rádio. Ela passará a realizar uma curadoria on-demand de programação em pé de igualdade com a programação ao vivo no ar”. Neste novo formato, a BBC Radio 1 e a Radio 1 Xtra oferecerão cerca de 25 horas de música direto para os celulares de seus ouvintes, que deverá estrear durante o outono inglês, mais ou menos na nossa primavera.

A rádio apresentará atrações como a New Music Friday e as músicas mais tocadas da semana por especialistas no meio, tudo isso a ser entregue aos ouvintes através de dispositivos móveis, antes mesmo de ir ao ar no dial – isso quando o conteúdo não for exclusivo para a plataforma mobile.

“A razão que eu estar fazendo isso é por causa do que vejo acontecer na indústria de TV e com a Netflix,” disse Cooper em entrevista ao jornal The Guardian. “A Netflix está investindo cerca de US $ 6 milhões por cada episódio de House of Cards. Se você tiver que escolher entre isso e uma hora de TV, o que vai ser? Você vai escolher aquilo que parece melhor e tem as maiores estrelas e mais dinheiro investido. Eu acho que o mesmo está acontecendo com o áudio.”

Ben se refere aos serviços de streaming de áudio como Spotify, Apple Music e Tidal, entre outros, que atraem os grandes astros da música, incentivando-os a usarem a plataforma digital/ mobile como principal meio de distribuição de suas músicas, pois é onde seu público os consome agora. “A concorrência com Spotify e Apple tenta tirar nosso lugar como fonte para descobrir novas músicas. Temos que pensar no telefone primeiro. Com a globalização da mídia e da quantidade que você pode investir em uma hora de conteúdo. Acho que está chegando a vez do áudio.”

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