Entrevista exclusiva com Sting sobre seu novo álbum 57th and 9th

Como todos já sabem a essa altura, recebemos com exclusividade pela Universal Music, o novo álbum do Sting, o 57th and 9th para fazermos um album review, que por sinal você pode ouvir clicando aqui. Porém, além da exclusividade na audição antecipada do álbum, recebemos também de mão beijada uma entrevista exclusiva do Sting respondendo á questões dos fãs e jornalistas do mundo inteiro. Essa entrevista foi transcrita e traduzida e está disponível logo abaixo.

Para quem está por fora, Sting está lançando seu décimo segundo trabalho e este novo álbum marca o seu retorno ao Pop-Rock depois de 13 anos afastado do gênero.

Confira o que Sting tem a dizer sobre o processo de composição e produção do álbum:

P1: Começando de maneira simples, o que inspirou este novo álbum?
R1: Com relação às letras, eu me lembro de não ter absolutamente nada escrito. Tudo que eu tinha era uma folha de papel em branco na minha frente. A primeira música que escrevi, é também a primeira faixa do álbum. “I Can’t Stop Thinking About You” é sobre uma busca obsessiva por inspiração, por um tema, algo que a música possa revelar dentro de nós.

P2: Você pode falar sobre o que te levou a escrever a letra e qual o sentimento por trás de “Fifty Thousand”?
R2: Fifty Thousand é uma reação a todas as mortes de ícones que aconteceram neste último ano. Prince, David Bowie, Lemmy, meu querido amigo Alan Rickman que era um Rockstar de sua própria maneira. É sobre como ficamos surpresos quando algum de nossos ídolos morrem. Nós temos essa idéia de que eles parecem ser imortais e quando eles morrem, nos faz pensar sobre a nossa própria mortalidade. Eu queria reagir a isso como sendo um Rockstar também. Eu estive nessa posição, eu sei o que é ter milhares de pessoas cantando suas músicas. Mas tudo isso é uma ilusão e nós não somos melhores do que qualquer outro ser humano.

P3: “Down,down,down” tem uma letra melancólica mas a música em si é bastante “pra cima”…
R3: Essa música foi composta como todas as outras, um trecho de música e somente isso. Mas eu tinha isso na minha cabeça, essa frase: “Down, Down, Down”, e pensava, essa vai ser uma música bastante depressiva. É sobre o fim de um relacionamento e como é se sentir derrotado. A história veio da música, mas ela tem realmente esse refrão mais pra cima mesmo sendo uma letra mais triste. Eu gosto de paradoxos nas músicas.

P4: Já faz algum tempo que você não produz um álbum de pop ou de rock and roll como este, o que te levou a voltar para este gênero neste momento?
R4: Eu nunca admito que estou fazendo um álbum até ele já estar em andamento. Nós agendamos um estúdio, eu pedi para alguns músicos aparecerem, então não estamos fazendo um álbum, só estamos nos divertindo. Minha idéia é sempre me surpreender, e surpreender as pessoas com quem eu estou trabalhando. Obviamente e eventualmente também os ouvintes, mas para mim, música é sobre surpreender. Eu só sigo meus instintos, porque me interesso por aonde isso pode chegar. Este álbum acabou por ser um tanto quanto energético e barulhento e ao mesmo tempo reflexivo.

P5: “One Fine Day” tem um tom um pouco diferente disso.
R5: Essa música é a minha sátira aos céticos que não acreditam nos problemas climáticos que estamos passando. Eu rezo todos os dias para que eles estejam certos, que isso é o ciclo normal do tempo no planeta e nada tem a ver com a atividade humana. Eu espero que eles estejam certos, mas a maioria dos cientistas no mundo, te dirão o contrário.

P6: Qual a história por trás de “The Pretty Young Soldier”?
A6: É a história de uma personagem feminina que se veste como um homem para encontrar seu amor no exército e toda a confusão que isso pode causar. O namorado dela tem de lutar em uma guerra e ela decide que vai acompanhá-lo e se veste como homem. Mas o capitão da tropa que ela está se sente atraído por ela e não sabe bem o porquê. Daí ela se revela como uma bela mulher, e a confusão começa, como deveria.

P7: Como um músico mundialmente aclamado, você é conhecido por se cercar de músicos igualmente relevantes e importantes, fale sobre algumas pessoas envolvidas neste álbum.
R7: A fundação deste álbum é baseada em uma parceria que já acontece a pela menos três décadas hoje: eu, Dominic Miller nas guitarras e Vinnie Colaiuta na bateria. Quando entramos no estúdio, como já trabalhamos juntos há muito tempo, nós temos essa conexão muito grande. Eu me sinto muito confortável em fazer música com eles. E eles por sua vez trabalham muito bem juntos, aprendem um com o outro e dão o espaço que precisam para serem criativos, um ao outro. O resultado disso tudo pode ser ouvido no álbum. Foi uma gravação bastante espontânea e generosa.

P8: A próxima faixa se chama: “Petrol Head”.
R8: Petrol Head é uma faixa mais agressiva, e eu achei que seria uma ótima base para uma música sobre as estradas americanas. Eu estive por muito tempo na estrada, ônibus de turnês entre outros… mas novamente é uma música que fala sobre uma busca por algo melhor, uma terra prometida ou algo místico, como preferir.

P9: “Heading South On The Great North Road”, tem um clima acústico e introspectivo. Ela fala específicamente sobre algum lugar, ou alguma pessoa?
R9: Essa é a música mais autobiográfica do álbum. Ela fala sobre a estrada para sair de Newcastle, que vai da Escócia para Londres. Ela parte do princípio de que para mim, em algum momento da minha vida, precisava passar por ali para ir para qualquer lugar que eu quisesse ir. Já passei muito por ali, fazia shows em Londres e pegava essa estrada de volta para casa… Eu não sei exatamente de onde essas coisas vem, eu só me sinto extremamente grato quando alguma frase surge, e se encaixa perfeitamente para fazer parte de uma letra. É um presente para um compositor.

P10. “If You Can’t Love Me” tem uma melodia bastante empolgante. Qual o conceito desta faixa?
S10: É outra música sobre fim de relacionamentos. Eu tive relacionamentos que acabaram, e as vezes algumas memórias surgem… é algo que você aprende como compositor, a utilizar suas experiências, o que você consegue se lembrar. Eu acredito ser algo muito útil. Mas essa é uma música sobre o fim de um relacionamento, e um cara dizendo que não vai aceitar nenhum amor pela metade.

P11. Como o album foi escrito, de maneira geral?
R11: Eu escrevi essas músicas muito rapidamente. Me forcei a escrever uma atrás da outra, e assim sucessivamente. Dessa vez eu tive um tempo limite imposto pelo meu produtor para escrever o álbum, o que normalmente eu tenho e normalmente ignoro… mas eu gostei de ter uma certa “pressão” para escrever. Isso faz com que as coisas soem mais espontâneas. “Não temos todo o tempo do mundo.”

Tem uma música no álbum que se chama “Inshalla”, que fala sobre refugiados. Nós fomos para Berlin para trabalhar com alguns músicos Sírios que estão morando na Alemanha. Eu queria basicamente saber como eles soariam nesta música, exatamente porque nela eu falo sobre a situação deles. Foi extremamente interessante perceber a diferença da versão deles e da nossa versão com a banda. Eu sempre gostei da palavra “Inshalla”, significa “Seja feita a vontade de Deus”, ou “Deus deseja isso”. Existe um senso de humildade e esperança nela. Para mim, foi uma maneira de me fazer solidário com a situação deles.

P12: A última música do album se chama Empty Chair.
R12: Essa foi originalmente gravada no piano, mas eu achei que precisava de um pouco mais de guitarras para este álbum especificamente. Então gravamos ela com duas guitarras tocadas por mim, e uma por Jerry do “Last Bandoleros”. Ela é simplesmente aquilo, muito mais reflexiva do que o restante do álbum que por sua vez é mais barulhento.

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