Em Abril de 1962, Keith Richards do alto de seus 18 anos escreveu a seguinte carta para sua tia”Patty”, e descreveu, dentre várias outras coisas, um encontro que havia tido com um rapaz alguns meses atrás. Encontro esse que mudaria a sua vida para sempre. Keith descreve o momento em que viu Mick Jagger pela primeira vez desde que tinham 7 anos de idade.

Três meses depois desta carta ser escrita, The Rolling Stones se apresentavam pela primeira vez no Marquee Club em Londres. O resto é história…

6 Spielman Rd
Dartford
Kent

Querida Pat,

Me perdoe por não ter escrito antes.
Espero que esteja bem.
Conseguimos sobreviver a mais um glorioso inverno Britânico.
Fico me perguntando, quando o verão vai dar as caras neste ano…

Oh, mas querida, desde o natal eu tenho estado tão ocupado entre o trabalho e a escola. Você sabe, eu sou maluco pelo Chuck Berry e achei que eu era o único fã em mil milhas de distância, mas em uma manhã dessas na Est.Dartford (para que eu não precise escrever uma palavra tão longa quanto “estação”) eu estava com um dos discos de Chuck nas mãos e então me aparece esse rapaz que eu conhecia do primário, quando tinha de 7 a 11 anos de idade. Ele e todos os seus amigos tem todos os discos que Chuck Berry já lançou. Todos eles são fãs de R&B… Quero dizer do R&B de verdade, (não dessa merda de Dinah Shore e Brook Benton) Jimmy Reed, Muddy Waters, Chuck, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, todos os blueseiros de Chicago.
Bo Diddley é outro cara muito bom.

De qualquer forma, esse cara se chama Mick Jagger e galera toda se encontra todo Sábado de manhã no ‘Carousel’. Um dia desses em Janeiro, eu estava por lá e resolvi dar uma passada pra vê-lo. Agora todo mundo me conhece, eu recebo convites para umas dez festas de uma vez só. Além disso, Mick é o melhor cantor de R&B deste lado do Atlântico… sem dúvidas! Eu toco guitarra elétrica no estilo Chuck Berry, nós temos um baixista, um baterista e um guitarrista base. Nós ensaiamos duas ou três vezes por semana.

É claro que todos eles estão nadando na grana e morando em casas separadas. Um deles tem até um mordomo. Eu fui até lá com Mick (no carro de Mick, não meu, é claro).

“O senhor deseja beber alguma coisa, senhor?”
“Vodka com limão, por favor.”
“Sim Senhor.”

Eu realmente me senti como um rei. Quase pedi pela minha coroa na hora de sair.

Tudo está indo bem por aqui.
Eu só não consigo largar desse Chuck Berry. Esses dias eu comprei um LP dele diretamente da Chess Records Chicago e me custou muito menos do que qualquer disco Inglês.

É claro que ainda temos todas as coisas velhas por aqui, você sabe, Cliff Richard, Adam Faith e outros dois, Shane Fenton e Jora Leyton. Uma merda que você nunca ouviu igual! Exceto pelo Sinatra… ha ha ha ha ha ha ha ha.

Não me sinto mais entediado. Neste sábado eu vou a uma festa que vai durar a noite toda.

“I looked at my watch
It was four-o-five
Man I didn’t know
If I was dead or alive”
(Trecho da música de Chuck Berry – Reeling and Rocking)

12 galões de Cerveja, 3 garrafas de Whiskey… Os pais dela vão ficar fora o final de semana inteiro, e eu pretendo encher a cara até cair. (Feliz em dizer.) No outro sábado, eu e Mick vamos levar 2 garotas ao nosso bar favorito de R&B em Ealing, Middlesex.
Eles conseguiram um cara para tocar gaita, Cyril Davies. Fabuloso! Sempre meio bêbado, o cara toca como um louco.
Bom, não consigo me lembrar de mais nada nesse momento pra te encher o saco, então vou me retirando…

GRANDE SORRISO

Amor…
Keith xxxxx
Quem mais poderia escrever tanta merda assim?

keith-richards-mick-jagger
-via

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