Dessa vez venho compartilhar com vocês musiqueiros, uma das minhas obras preferidas quando se trata de música erudita, além de ser uma história muito bonita de amizade e respeito.

Pictures At An Exibithion é uma peça (suíte) para piano que foi escrita em Junho de 1874 por Modest Mussorgsky, um compositor russo. Um ano antes Viktor Hartmann, arquiteto, pintor e grande amigo de Mussorgsky acabou falecendo com apenas 39 anos de idade devido a um aneurisma. Em Março de 1874 na Galeria de São Petersburgo, acontecia uma exposição dos quadros de Viktor. Inspirado pela sua obra, Mussorgsky decide escolher dez quadros e compõe uma música para cada um deles, todas unidas por um tema em comum (Promenade). E assim nasce uma bela homenagem musical de um artista para outro. As músicas exploram a corrente folclórica russa e o estilo de piano é inovador em sua austeridade e ausência de tessitura.

Composta em uma época em que o piano era instrumento de brilho virtuosístico, a suíte foi durante algum tempo ignorada. Quadros de uma Exposição descreve, em metáforas através das notas do piano, um passeio em uma exposição de quadros, tendo os temas como guia. As músicas isoladas dos quadros são unidas por um tema inicial e por quatro “intermezzos” da mesma melodia, interpretada com diferentes harmonias através da obra.

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Em 1922, atendendo a um pedido de Serge KoussevitzkyMaurice Ravel, compositor francês, orquestrou em Lyons-la-Forêt, França o original pianístico da peça. Ao fazê-lo, Ravel prestou um grande serviço a Mussorgsky. Grande parte da posterior popularidade da obra se deve ao excelente serviço por ele realizado. Porém, Ravel realizou a instrumentação de “Quadros de uma Exposição” à sua própria maneira, já que não conhecia as orquestrações realizadas por Mussorgsky. Com o seu apurado dom orquestral, soube extrair da obra a dosagem necessária dos instrumentos e criar sonoridades instrumentais precisas, tudo dentro do espírito dos temas. Um grande fato e genialidade de Ravel ao orquestrar a obra pode ser ouvido na parte número 7 – ”Bydlo” (Carro de Bois) – Sempre moderato, pensante, quando ele realmente quer te passar a sensação de que há carros de bois passando, utilizando da percussão para dar a sensação de aproximação e distancia ao ouvinte.

Além de uma versão orquestrada essa grande suíte teve sua versão Opera Rock em 1971 feita pelo progressivo grupo Emerson Lake & Palmer adicionando novos temas, baixo, bateria e vocais na obra.

A obra compõe-se dos seguintes episódios:

1. ”Promenade” (Passeio) – Introdução – Allegro giusto, nel modo russico, senza allegrezza, ma poco sostenuto.
2. ”Gnomus” (Gnomo) – Sempre Vivo.
3. ”Promenade” (Passeio) – Moderato comodo assai e con delicatezza.
4. ”Il Vecchio Castello” (O Castelo Medieval) – Andante molto cantabile e con dolore.
5. ”Promenade” (Passeio) – Moderato non tanto, pesante.
6. ”Tuileries” (Tulherias) – Allegretto non troppo, cappricioso.
7. ”Bydlo” (Carro de Bois) – Sempre moderato, pensante.
8. ”Promenade” (Passeio) – Tranquillo.
9. ”Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques” (Balé dos Pintinhos em suas Cascas de Ovos) – Schernizo.
10. ”Samuel Goldenberg et Schmuyle” – Andante grave, energico.
11. ”Promenade” (Passeio) – Allegro giusto, nel modo russico, poco sostenuto.
12. ”Limoges, Le Marché” (O Mercado em Limoges) – Allegretto vivo, sempre scherzando.AFK.
13. ”Catacombae, Sepulcrum Romanum” (Catacumbas, Sepulcro Romano) – Largo.
14. “Cum Mortuis in Língua Mortua” (Com os Mortos em Língua Morta) – Andante non troppo, com lamento.
15. ”La Cabane de Baba-Yaga sur de Pattes de Poule” (A Cabana de Baba-Yaga sobre Patas de Galinha) – Allegro com brio, feroce. Andante mosso. Allegro molto.
16. ”La Grande Porte de Kiev” (A Grande Porta de Kiev) – Allegro alla breve. Maestoso. Con grandezza.

Versão orquestrada, o concerto se inicia nos 26:20 minutos do vídeo:

Versão para Piano:

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