Já faz algum tempo que eu estou querendo dar uma passada por aqui para escrever sobre algumas coisas que andam me incomodando ao extremo em shows e apresentações de qualquer espécie. Não que a minha opinião valha de muita coisa, mas acredito que assim como essas coisas me deixam maluco, e as vezes, com uma ligeira e intensa vontade de arrancar a cueca pela cabeça, penso que deva haver uma porção de pessoas que também sentem tamanha fúria, e ao mesmo tempo, tristeza no coração por essas pessoas.

Sim meus caros amigos, são os “Fotógrafos e Cinegrafistas Amadores de shows e eventos no geral.” Eu sei, é claro que existem várias ramificações e derivações dessa classificação, agregando uma série de comportamentos curiosos de diversas dessas figuras interessantes. Mas em único post, seria uma proeza conseguir reunir tamanha vadiagem. Por isso, vamos por partes…

Os integrantes desta patota tem aumentado exponencialmente ao longo dos anos e se você costuma ir a shows frequentemente, já deve ter se deparado com ao menos vários exemplares destes. Munidos de celulares de última geração, e outros nem tão novos assim, essa galerinha faz questão de azucrinar a sua paciência e passar por cima de qualquer vestígio de educação, bom senso, respeito, noção e vergonha na cara que possa talvez restar em seu ser, para obter qualquer tipo de registro de seu ídolo ou banda preferida, ou as vezes nem tão preferida assim. O show mal começa, e você já é surpreendido com uma porrada de telinhas eletrônicas, com seu brilho sempre ajustado no máximo, para que a retina do coleguinha ao lado que só deseja apreciar aquele momento, seja derretida lenta e dolorosamente, levando juntamente com seus olhos, toda a sua atenção, seu cérebro e a sua alma… E assim segue aquele aparelho trabalhando, muitas vezes durante a apresentação inteira, sendo trocado de um braço para o outro inúmeras vezes. Aquele infeliz aparelho, registrando megabytes e megabytes de um borrão colorido à dezenas de metros de distância… registrando aquele áudio muito mais clipado e ininteligível do que uma transmissão de Rádio PX nos anos 90.

Vi uma série de pessoas fazendo coisas deste calibre, tanto em apresentações dentro de estádios, quanto em teatros lotados. Algumas pessoas fazem questão de levantar de seu aconchegante assento para baterem as suas fotos com o flash ligado. Peraí, eu vou digitar essa frase novamente… só um pouquinho… Algumas pessoas fazem questão de levantar de seu aconchegante assento para baterem as suas fotos com o flash ligado! Outras, ligam seu celular com aquela tela de 42 polegadas, abrem o famigerado Whatsapp para mandarem um trecho do show em áudio para uma pessoa cujo nome, que inclusive dava para se ler de longe no visor do aparelho deste condenado, era: “Maninha Querida”. No mínimo deprimente…

Sem contar que todas, ou quase todas as apresentações são registradas por fotógrafos profissionais com câmeras decentes, à uma distância decente e digo mais, hoje com o “advento da internet”, e uma tal rede social chamada Facebook, entre outras, você poderá encontrar nas páginas dos artistas, registros 99,9% das vezes muito melhores do que o seu… Só que não né? Tem que ser a sua foto né? Tem que ser o seu borrão colorido, certo? Okay!

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Já conversei e tive discussões homéricas com vários amigos sobre isso, e caso R$10,00 no chão, que sei exatamente o que alguns de vocês devem estar pensando neste momento. Tudo bem, eu sou chato… eu sei disso. Mas não me venham com essa história de que o sujeito é livre para fazer o que ele quiser, filmar e fotografar a droga do borrão colorido que ele quiser e quando bem entender, porquê a partir do momento em que ele toma a decisão de fazer isso, no momento e da maneira que ele bem entende, ele está automaticamente interferindo na minha liberdade e no meu direito de acompanhar, assistir, aproveitar e pelo menos enxergar a apresentação da maneira que for mais confortável para mim! Sim, eu tenho este direito também. Certo? Nem sempre…

Essa coisa toda vai muito além dessa questão da liberdade, e na minha opinião é algo que já está beirando o bizarro. As pessoas não conseguem simplesmente ir a um show e assisti-lo, elas precisam de um registro específico daquele momento, custe o que custar. Mesmo que ela nunca veja aquele vídeo novamente, reveja aquelas fotos, ou até mesmo ouça aquela gravação toda “estourada” do show do Metallica no Morumbi, tanto faz. É o registro, simplesmente pela prova de que aquela pessoa esteve lá, e cada vez mais vemos as pessoas se distanciando não só da música, mas do momento em si, seja ele qual for.

Se você quer, e gosta realmente de ter um pequeno registro do show, aqui vai uma dica. Acho muito menos agressivo, ao final da apresentação, de preferência nos últimos momentos do bis, você previamente diminuir o brilho do seu visor, levantar o seu celular ou aparelho de sua preferência o suficiente para registrar o palco, e rapidamente e bater duas ou três fotos sem flash, como recordação daquele momento. Uma dessas fotos com certeza vai ficar bacana, e você poderá tranquilamente destilar todo o seu veneno pelo Instagram afora. Ah… Mais uma dica importante, é a de não se esquecer de assistir ao show…

Por outro lado, eu estaria pouco me lixando se isso não me incomodasse, ou interferisse na minha experiência de apreciação do espetáculo em si, no qual eu também gastei meus míseros cruzeiros para assistir. Eu nem vou entrar na questão da falta de respeito com os artistas e os músicos que estão em cima do palco. Isso com certeza pode ser assunto para um outro post, falando de uma outra categoria de pessoas “sem noção” que existem por aí. Sabe aquelas que deixam o celular ligado e no último volume, dentro da sala de cinema? Então…

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