Esse post não é uma bronca, mas se você é uma daquelas pessoas que, ao ouvirem um pouco mais de violino e algumas trompas tocando junto já vai dizendo que é música clássica, você está errado. Este é um erro muito comum entre leigos, entusiastas, apreciadores e até mesmo músicos, quando se trata desse segmento musical, mas não se culpem, uma vez que no Brasil não temos ensino musical algum dentro no ensino público e nem nos particulares. Mesmo já tocando guitarra a alguns anos, eu também cometia esse erro até me encontrar nas cadeiras das salas de aula de apreciação e história da música pela FASCS (Fundação das Artes de São Caetano).

Mas vamos lá, separamos a música em dois grandes grupos: a música erudita e a música popular. Mas por que não podemos falar música clássica apenas? Vou dar uma passada rápida pelos períodos que já ocorreram dentro da música, pois é um assunto muito completo e denso, porém a ideia principal é que consigam ouvir os exemplos e notem as grandes diferenças entre as músicas.

Período Medieval – até 1450

Iniciado com a queda do Império Romano, é o termo dado a música típica da Idade Média, que na sua maioria era feita para a igreja onde com auxílio do Papa Gregório, nasce o canto gregoriano. Aqui também é onde a pauta musical é estabilizada da maneira que conhecemos até hoje, feita por Guido D’arezzo. As notas musicais passaram a ser chamadas UT, RE, MI, FA, SOL, LA e SI. Posteriormente o nome DO substituiu o UT. O nome da nota SI formou-se das letras iniciais do último verso do hino em latin, como pode ser visto a seguir:

“Ut queant laxis Resonare fibris Mira gestorum Famuli tuorum Solve polluti Labii reatum Sancte Ioannes”

Que significa:

“Para que teus servos, possam ressoar claramente a maravilha dos teus feitos, limpe nossos lábios impuros, ó São João.”

Principais Compositores:

• Hildegarda de Bingen
• Leonin
• Pérotin
• Adam de la Halle
• Philippe de Vitry
• Guillaume de Machaut
• John Dunstable
• Guillaume Dufay
• Johannes Ockeghem

Período Renascentista – 1450 até 1600

O período da Renascença se caracterizou na História da Europa Ocidental, sobretudo pelo enorme interesse ao saber e à cultura, particularmente à idéias dos antigos gregos e romanos. Os compositores desejavam escrever música secular sem se preocupar com as práticas da Igreja. Sentiam-se atraídos pelas possibilidades da escrita polifônica, na qual cada voz podia ter sua própria linha melódica. A escrita polifônica fornecia oportunidades técnicas para efeitos de grande brilho, que eram impossíveis até então. Uma forma secular de composição, o Madrigal, surgiu no século XIV, na Itália. Os compositores escreviam madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim.

Principais Compositores:

• Johannes Ockeghem
• Josquin des Prez
• Thomas Tallis
• Giovanni Pierluigi da Palestrina
• Orlando di Lasso
• Giovanni Gabrieli

Período Barroco – 1600 até 1750

Durante esse período, os compositores eram usados principalmente pelas autoridades eclesiásticas e membros da nobreza, onde pelo sistema de patronatos, o patrono pagava o compositor por cada trabalho e decidia que tipo de música ele iria compor, o que limitou muito a criatividade e liberdade do artista. A música instrumental ganhou o mesmo grau de importância que a música vocal, no Barroco floresceram músicas para violino, órgão, harpa, cravo, oboé, trombone e trompetas, e não utilizava-se percussão.

Principais compositores:

• Antoni Vivaldi
• Johann Sebastian Bach
• Domenico Scarlatti
• Georg Frederic Handel

Período Clássico – 1750 até 1810

No período clássico, foi onde as pessoas começaram a ter maior acesso a cultura devido às grandes revoluções como a Francesa, e as Guerras Napoleônicas. O sistema de patronato começou a desaparecer e surgiram os concertos públicos, onde as pessoas pagavam para assistir o evento. A música se caracterizou como simples, balanceada e não muito emocional. As obras clássicas não eram feitas para dançar, nem para celebrações especiais, mas sim pelo fato de desfrutarem da beleza da música. Assim foram conhecidas como “músicas absolutas” e três novas formas de instrumentais foram criadas: o concerto, a sinfonia e a sonata.

Principais compositores:

• Joseph Haydn
• Wolfgang Amadeus Mozart
• Luigi Bocherini
• Ludwig Van Beethoven

Período Romântico – 1810 até 1910

No Romantismo tivemos muitas mudanças na música uma vez que os artistas tinham liberdade para criar, acabando com a restrição de duração da obra, número de instrumentos ou vozes e de movimentos. Um momento em que floresceram um número muito grande de obras instrumentais e vocais devido a essa liberdade, além de serem introduzidos os instrumentos de orquestra assim como conhecemos hoje. A tecnologia nos instrumentos de ar e madeira, os deixando mais fáceis de tocar, fez com que ganhassem destaque nas composições. Surgiram também obras miniaturas como o Noturno, o Impromptu, o Estúdio e a Balada. Além da união da poesia à música, passando a expor mais os dramas humanos do que mitológicos, simbólicos ou platônicos.

Principais compositores:

• Felix Mendelssohn
• Frederik Chopin
• Franz Liszt
• Richard Wagner
• Giuseppe Verdi
• Peter Llyich Tchaikovsky
• Sergei Rachmaniov

Período Moderno e Contemporâneo – 1910 até 2000

Não há uma tendência uniforme na música contemporânea. Podemos, contudo, mencionar duas escolas: a da Música de Vanguarda, que compreende sobretudo o experimentalismo; e as tendências neoclássicas e neo-românticas (chamadas “conservadoras”), representadas por compositores como Arvo Pärt e Krzysztof Penderecki, que representam uma reação ao experimentalismo, voltando a adotar a linguagem tonal.

Foram escritas mais músicas no século XX do que em qualquer outro período da história da música, sendo que a única restrição para a composição é a pura imaginação do artista.

Principais Compositores:

• Claude Debussy
• Maurice Ravel
• Béla Bartok
• Igor Stravinsky
• Sergei Prokofiev
• Dmitri Shostakovich

Período Pós Moderno – 2000 até os dias de hoje.

Pós-moderno é a expressão que está na moda, usada como uma espécie de guarda-chuva cobrindo um conjunto de atitudes, ações, obras de arte e conceitos contemporâneos, cujas análises aprofundadas – se elas viessem a ser desenvolvidas – permitiriam o surgimento de uma profusão de novas terminologias para estilos, estéticas, pensamentos e ideologias. Há mais de 30 anos vários teóricos, das mais diversas áreas, vêm tentando explicar a possível nova era histórica que teria surgido após o chamado modernismo.

Resumindo, espero que com um pouco da história da música erudita, consigamos compreender que nem tudo é música clássica, cada período tem os seus diferenciais culturalmente, tecnologicamente e isso, é claro, sendo refletido musicalmente.

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