Saudações musiqueiros de plantão! Post empolgado, pois ainda estou digerindo tudo que aconteceu na sexta-feira passada, na qual tive a grande oportunidade de ir ao primeiro dia do festival Best Of Blues. Neste dia, tocaram Ana Popovic, Jonny Lang e Buddy Guy.

Antes de falar dos artistas, eu sempre gosto de comentar a respeito da estrutura do evento, pois isso acaba sendo um fator determinante para muitas pessoas, além do mais, pagamos um valor nada sublime e mereceremos algo no mínimo bom.

Não tenho reclamações referentes ao festival, aconteceu no WTC Golden Hall, que comporta cerca 2.500 pessoas. Dentro do espaço reservado, tínhamos ativações da Samsung (empresa patrocinadora do evento), com uma banda ao vivo. Uma das que mais me chamou atenção, era um jogo no formato “Songpop”, no qual você escolhia um dos artistas que iriam tocar no dia, respondia o quiz de músicas e as 5 pessoas com maiores pontuações tiveram a chance de conhecer os artistas. Até acertei as músicas, mas infelizmente não ganhei nada. Além disso também havia uma exposição de fotos da edição do último evento, um bar, e livre acesso para o palco onde se localizavam as cadeiras numeradas.

Ana Popovic
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Pela primeira vez no Brasil e direto da Sérvia, a guitarrista Ana Popovic entra no palco mostrando para que veio. Ao primeiro som da sua guitarra a plateia já se impressiona, até porque não é muito convencional vermos uma loira, alta, bonita, tocar blues daquele jeito. Ana era a artista com menos fãs do festival, uma vez que o público não cantava as suas músicas e as cadeiras ainda não estavam todas preenchidas, mas quem estava presente sabe a qualidade técnica dela e da banda apresentada. Vale destacar alguns toques progressivos em sua música.

O primeiro grande momento foi quando o baterista Chris Layton (que já acompanhou Stevie Ray Vaughan), abre um solo de qualidade impecável, sendo até mais roqueiro que o esperado para o show, abusando dos pedais duplos e pratos. O segundo grande momento foi quando Ana já havia ganhado o público por completo e anuncia que iria fazer uma música em homenagem ao seu “Guitar Hero” Stevie Ray Vaughan. Só de ouvir esse nome as pessoas já ficam alucinadas e a música escolhida foi “Navajo Moon”, em seguida comenta sobre a sua participação na Hendrix Experience Tour ao lado de Jonny Lang, Kenny Wayne Shepperd, Zakk Wylde entre outros guitarristas. Em seguida, toca com magnitude “Can You See Me” de Jimi Hendrix.

Quase no fim do seu show, Popovic abre espaço para o solo do baixista Billy Cox (que já tocou com Hendrix), que foi aplaudido de pé. Com belas frases e tocando com a boca, fica sugestiva a influência de seu ex-parceiro de banda. Para acabar Ana apresenta a sua banda com solos individuais e se despede também aplaudida de pé pela plateia, que foi ali surpreendida por uma verdadeira guitarrista de blues.

Jonny Lang
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O show que eu mais esperava ver do festival, sem dúvida era o de Jonny Lang, que já estava há 14 anos sem vir ao país. A casa já estava muito mais lotada para esse show, e o público muito mais entusiasmado à espera do artista. E não era para menos, a qualidade vocal e instrumental de Lang é incomparável, e ao contrário dos outros guitarristas da noite ele prefere usar a famosa Les Paul ao invés da clássica Stratocaster, e faz tudo isso com apenas 33 anos. A música de abertura foi “Blew Up (The House)” que é o seu mais recente single, e já se notava que o público cantava as suas músicas à plenos pulmões. Após a terceira música do show vieram os grandes clássicos do cantor,“A Quitter Never Wins”, um cover de Tinsley Ellis. Uma das músicas que eu mais esperava ouvir por ter solos incríveis de guitarra, com certeza um dos maiores sucessos nas mãos de Jonny Lang.

A qualidade da banda é provada quando tocam “Turn Around” que tem muitas partes de “coro”, e que necessita dos vocais apurados dos músicos enquanto executam o blues rock. Entre uma música e outra rolam improvisos vocais e instrumentais de Lang com a sua banda, onde quase não notamos a diferença quando ele está tocando ou cantando, ouçam e vocês vão perceber a técnica “vibrato” que ele utiliza para cantar. No meio dos improvisos, uma corda de sua guitarra se rompe. Para os que não enxergam muito bem com certeza nem notaram, pois o artista continuou a atuar como se tivessem mais de 10 cordas na sua guitarra e não 6, ou apenas 5 no caso.

O grande clímax do show, foi quando exatamente da maneira registrada em seu álbum ao vivo “Live At Ryman”, a banda é apresentada com luz vermelha, efeitos especiais e fundo dos pianos. E daí, lá vem a clássica “Redlight” que emociona a todos os presentes com a sua letra e harmonia. Lang convida todos a cantar com ele o trecho “Everything is gonna be alright” enquanto faz seus solos por cima.

Todo show de blues é marcado por um grande “crossroads” e no fim do show, Jonny Lang abre uma conversa em notas musicais com o seu guitarrista base. O show é finalizado com “Angel Of Mercy” música do seu álbum “Wander This World”, o público com certeza ficou com um gosto amargo no fim, pois todos queriam muito mais desse artista. Até porquê 14 anos de espera é muita coisa.

Buddy Guy
O mestre sobe ao palco. 77 anos de muita história, e só de imaginar que o Buddy estava lá quando tudo começou na Chess Records, sendo descoberto e tendo tocado junto com Muddy Waters e Howlin’ Wolf, já é algo de se emocionar. Mr.Guy é uma figura só, além da musicalidade do show, ele é um showman a parte. Não sei dizer se é o efeito do que ele toma em sua “xicara de café” ou se ele nasceu assim mesmo. Sendo o “Hoochie Coochie Man” em carne e osso, ele não para, mistura seus solos de guitarra com tudo que ele encontra no palco, desde toalhas de suor, baqueta, toca de costas, entre as pernas, da maneira que você imaginar com certeza Buddy Guy já tocou e sem deixar de exibir o seu blues da forma mais autêntica possível.

Ele não se contenta em permanecer em cima do palco, e por mais de uma vez desce e vem solar e tocar entre as cadeiras do público. O mais engraçado é ver os seguranças que ficam malucos, mas Buddy parece estar se divertindo com tudo isso, pois até banho de cerveja o cara levou e sem preocupações faz piada com o fato. A música mais marcante do seu repertório com certeza é a própria “Hoochie Coochie Man”, um hino do blues escrita por Willie Dixon e pela primeira vez gravada por Muddy Waters. Mas ele não para por ai e faz uma linha do tempo, tocando músicas de John Lee Hooker, Hendrix, Santana, Cream, Albert King, sempre com muita graça e simpatia. Podemos dizer que essa é a família do blues, pois durante o show e para tocar outro clássico, Buddy convida o seu filho Greg Guy para tocar “Feels Like Rain”, e em seguida convida a sua filha Carlise Guy para dividir os vocais com o pai em “Little By Little”.

Não tenho o que dizer sobre esse mestre da guitarra, sendo minha segunda vez ao ver seu show, ele sempre surpreende com a simpatia e alegria apresentada na hora de tocar, sendo uma aula de blues e história da música.

Esse foi um pouquinho da emoção compartilhada com vocês, de estar diante dos meus ídolos no que podemos dizer de “Crossroads” no Brasil. Recomendo a todos procurarem sobre esses músicos e se um dia puderem, vejam-os ao vivo.

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