Como é raro ter um momento sem nenhum barulho ao redor. O bombardeio de sons vem de todos os lados: o trânsito com as buzinas e os escapamentos escandalosos, gente gritando, rádio ligado, bebês chorando e até o som dos eletrodomésticos funcionando. Tudo isso pode minar nossa sanidade um pouquinho a cada dia. E certamente o faz.

Claro que nos acostumamos a viver assim, de forma que o silêncio é o incomum. A regra é o barulho constante que parece completar uma lacuna no tempo e espaço. Chegar em casa e ligar a tv, especialmente quando se está só, apenas para ter a sensação de ter mais alguém em casa. Quando na realidade ninguém chegará. A aflição de se estar o mínimo que seja, longe das cidades, porque falta alguma coisa, falta a confusão mental com a qual nos acostumamos, falta a pressa de não poder olhar para os lados.

Ás vezes, andando com meus fones de ouvido, estou tão imersa em meus pensamentos que não presto atenção nas músicas que estou ouvindo, quero apenas um som para me acompanhar. Perco as notas, perco as melodias, perco os timbres e os arranjos, me desarranjo… perco a emoção.

Temos essa mania de evitar o silêncio, afinal ele grita, grita alto, rasgando os tímpanos e mostrando uma realidade crua demais, talvez. Ele não mascara, ele não distrai, não acoberta… O que ele tem a dizer que não queremos ouvir?

“Words are very unnecessary. They can only do harm. Enjoy the silence”
(Depeche Mode – Enjoy the silence)

Ilustração: Brão Barbosa

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