Nada mais horrível do que cantores de chuveiro. Verdadeiros artistas que nos são apresentados durante essa vida breve. Conheço alguns que levam a ideia a sério, como o meu vizinho, que canta a plenos pulmões sem dar a mínima para quem está escutando. Ele ressuscita todos os sucessos da axé music, da década passada.

E tem pessoas como eu, que apesar de quase sussurrar a música, ainda assim não perde a oportunidade de usufruir da boa acústica do banheiro e manda “Unchained Melody” enquanto lava o cabelo.

Vale usar o vidro de shampoo como microfone, ensaiar passos escorregadios (leia-se perigosos), fazer caras e bocas e até dar tchauzinho para a plateia imaginária. Ali o nosso ego de popstar fica livre para todas as bobagens e dramas de uma verdadeira celebridade.

Mas toda essa magia pode ser facilmente explicada pela física que diz o seguinte: As paredes sólidas e lisas do banheiro fazem com que este cômodo da casa funcione como uma caixa de ressonância, de modo que as ondas sonoras refletem nas paredes, aumentando a intensidade do som e fazendo que nossa voz pareça bem mais potente. Ou seja, a gente se sente o rei da cocada com um baita vozeirão, estilo Etta James e Elvis Presley da vida.

A farra só acaba quando alguém bate na porta e nos chama de volta à vida real. Geralmente esse papel é exercido pela mãe, que do outro lado da porta grita algo do tipo “sai logo daí que seu pai não é sócio da Cemig!” (Cemig no meu caso, que sou de MG e cresci por lá). E quando deixamos a casa dos pais, geralmente temos que fazer o próprio boicote da cantoria, afinal, está faltando água e sejamos realistas, talento também.

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