Uma pesquisa realizada no ano de 2008, pelos pesquisadores Laura A. Mitchell, Raymond MacDonald AR e Christina Knussen, intitulada “Uma investigação dos efeitos da música e da arte na percepção da dor”, procura mostrar que ouvir sua música preferida durante períodos de dor pode aumentar de forma significativa a tolerância a ela, se comparado com estímulos visuais ou silêncio.

Para chegar a esse resultado, eles recrutaram 80 pessoas para levar a sua música favorita para um laboratório, onde eles seriam pagos para mergulhar as mãos em água gelada a 5°C, durante o tempo que aguentassem. Outro grupo levou a sua obra de arte favorita para observar durante o desafio, e um terceiro grupo tentou aguentar firme o máximo de tempo que conseguisse, sem nenhuma distração.

Os resultados mostram que o grupo munido de suas músicas preferidas aguentou a água gelada mais tempo que os outros. Está certo, no caso da pesquisa estamos falando de uma dor física e nem sempre poderemos levar nossas músicas preferidas para procedimentos cirúrgicos sem anestesia, prontos-socorros ou qualquer outro lugar ou situação de dor dessa espécie. Mas e a dor emocional?

Se for fazer uma retrospectiva dos meus maiores momentos de dor que tive na vida, sempre vai vir à memória uma música que me acompanhou nesse período. Algo que ouvia, para me dar forças ou para me ajudar a extravasar a dor, que às vezes se acumula. Por causa disso, acontece de algumas músicas ficarem tão marcadas por uma fase ruim, que passamos a rejeita-las. Mas naquele momento quando o mundo se fecha um pouco em torno de você, elas ajudam e te acompanham.

A banda finlandesa Apocalyptica, por exemplo. Duas ou três músicas deles me lembram da perda do meu pai. Sim, pois precisei me agarrar a muitas coisas para continuar tocando a vida por aqui. É claro que rola aqueles olhos marejados quando as ouço, mas também o faço com gratidão, pois a música  sempre me acompanhou e sei que na letra e melodia de outra pessoa posso encontrar uma expressão que é tudo aquilo que gostaria de dizer, mas por algum motivo fui incapaz por um breve momento.

Fato é que nos enxergamos na dor do outro, vivemos coisas muito parecidas, perdemos muito pelo caminho, mas batemos a poeira e continuamos firmes. Carregando as experiências na bagagem e histórias no coração. E se um dia esquecemos-nos delas, a música no rádio, na tv, na playlist vem trazê-las à tona e sussurrar baixinho: “Você não está só”.

 

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