Quando nos casamos, meu marido e eu combinamos que quando chegássemos aos 80, teríamos uma dupla de cadeiras de balanço, onde nos sentaríamos cuidadosamente para ouvir os discos do As I Lay Dying. Depois de sete de anos de casamento muitas coisas mudam, inclusive o nosso gosto musical. A barulheira cede um pouco de lugar às musicas mais calmas, a agitação já não toma tanto espaço assim dentro da sua rotina, e as certezas de antes se tornam duvidosas.

Assim como as músicas, a gente envelhece. Olha para si de repente e se vê batendo na porta dos 30! Vê que muitos não viveram mais do que os meros 27 que você tem hoje, como Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Janis Joplin e tantos outros quando deixaram esse mundo cruel. Em que momento os alcancei na idade? Será que em alguma loucura também? A impressão é de que passei por algumas fases como num sonho. Como se estivesse ausente de mim mesma, alienada por alguma expectativa banhada de utopia, esperando que alguém me cutucasse para dizer que chegou a hora de descer.

Cheguei a pegar alguns anos dos discos de vinil, das fitas cassete, dos clipes gravados no VHS. Eram horas e horas esperando a MTV rolar aquele vídeo para eu finalmente poder grava-lo. Finais de semana fazendo várias fitas cassete para amigos, namorado, familiares. Se tinha alguém de quem gostasse, pronto! Gravava uma fita cassete para essa pessoa. Tive um disco do ninja jyraia, pulei elástico com as amiguinhas, chorei com a Vada porque o Thomas não podia enxergar sem os óculos. No ataque às torres gêmeas era inocente demais para entender o que estava acontecendo. Escrevi em diário de papel, li quantas revistinhas da Mônica fosse possível num só dia, disse adeus para os meus avós, aprendi que estamos sempre dizendo adeus a alguém.

Seria legal poder voltar a alguns desses momentos, mas uma das coisas que se descobre ficando mais velha, é que cada pedaço da vida tem o seu lugar, que o susto com a idade talvez venha pela vontade de viver mais e mais. Passa a se importar menos com coisas bobas. Se cansa, porque é hora para cansar. Pois o descanso virá, acompanhado por um par de cadeiras de balanço.

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