Às vezes, em determinadas situações, me deparo com uma óbvia, mas não muito lembrada realidade: a música, tão presente e importante para mim, não é tanto assim para alguns, e para outros nem sequer faz diferença, enquanto tem importância até maior para uma outra parte da população.

O que leva alguém a encher seu carro com caixas de som enormes, que abusam dos graves e agudos e são colocadas na parte mais afastada no fundo do veículo, com o claro objetivo de chamar a atenção de todos da rua, e não de satisfazer a si mesmo? Neste caso eu sempre chego à seguinte conclusão: o som é apontado para trás, porque essa pobre criatura não gosta realmente de música: o objetivo é simplesmente chamar a atenção do mundo para o fato de ele ter um carro. Quanta carência! A música em si, nem é preciso dizer que é da pior qualidade possível, salvo raríssimas exceções que não tornam o personagem menos estúpido.

Outras pessoas simplesmente parecem não considerar a música algo digno de alguma atenção: é sempre usada, no máximo como pano de fundo, como qualquer ruído poderia ser. Como pode alguém não ter qualquer bagagem musical que seja? Nenhum artista preferido, nenhum álbum marcante? Para mim é quase como não ter visão ou qualquer outro sentido. Há, ainda, pessoas que dizem não gostar de música, como o caricato Diogo Mainardi. Sei lá, não acredito muito nesses e ainda imagino que devam ser pessoas amargas.

Para mim e provavelmente para muitos leitores a música está sempre em primeiro plano. É algo que sempre prende minha atenção, por isso há coisas que não posso fazer enquanto escuto música, como ler ou estudar, por exemplo: mesmo que a letra seja em outra língua (o que a torna praticamente parte do instrumental se eu não entendo as palavras), minha atenção sempre se desvia e, inconscientemente, lá estou eu, acompanhando nota por nota, instrumento por instrumento e os infinitos elementos que se pode atentar em alguns minutos de fonograma. Às vezes isso até incomoda. Adoraria estudar ao som de uma boa música mas, ao menos nesta vida, isso tem de ser em silêncio.

Sendo assim, nada mais natural que eu passasse a criar música. É uma ótima forma de expressar ideias e sentimentos. Apesar de saber da íntima relação dela com as ciências exatas, às vezes me dá aquele estalo e vejo que é a coisa mais maluca e sem lógica que existe: por que diabos gostamos de ouvir, de forma tão intensa, um monte de sons misturados e estranhos? Por que algo tão intangível parece ser tão concreto? Por que gastamos dinheiro (algo tão concreto e palpável) nessas coisas que não podemos ver, pegar e apenas escutar? Penso que se algum extraterrestre, ao chegar à nossa atmosfera pela primeira vez, passasse um tempo nos observando (por sinal penso o mesmo sobre a dança. Que coisa mais estranha!), acharia no mínimo curioso… Ou não!?

O fato é: a música existe e nos afeta de formas diferentes. Ativa memórias e sensações, passa mensagens simples e complexas. A mesma gravação daquela música X sequer é encarada da mesma forma duas vezes pela mesma pessoa. Pode ser encarada como algo banal por alguém e como razão de viver por outra ao lado. É como uma magia, algo realmente sobrenatural que influencia até mesmo os os outros animais e os que dizem não gostar dela. Afinal de contas, como seria o mundo se não tivéssemos DESCOBERTO (e não inventado) a música? Que tipo de pessoas seríamos?

Newsletter Troca o Disco
Receba novidades com antecedência em seu e-mail
Seu e-mail não será compartilhado.