Outro dia, o apresentador e radialista americano Eddie Trunk pregava uma questão em seu podcast que, de tempos em tempos, me vêm à cabeça. O episódio começava ressaltando que, anteriormente, ele havia entrevistado membros das bandas Europe e Black Star Riders, que lançaram novos álbuns este ano – respectivamente, War of Kings e The Killer Instinct. Esses álbuns, elogiadíssimos por Trunk, que estão sendo ignorados pelas rádios rock mais mainstream dos EUA.

O motivo disso? As rádios, como empresas que visam gerar lucro (igual a qualquer outra), procuram manter o máximo de pessoas sintonizadas em seu dial ao mesmo tempo e, para isso, não arriscam tocar novas músicas. Não se mexe em time que está ganhando, logo, não tocaremos outra música do Europe que não seja The Final Countdown enquanto o Black Star Raiders, cujo segundo álbum acaba de chegar às prateleiras, continuará sumariamente ignorado até que tenha um hit tão comercialmente grande quanto Satisfaction, dos Stones.

Adaptamos o discurso acima para a realidade brasileira e jogamos, no mesmo caldeirão onde o rádio se encontra, outras mídias como TV, grandes sites de entretenimento e conteúdo, jornais e revistas mais lidos do país e o que mais você conseguir imaginar. É claro que você vai encontrar por lá as mesmas caras de sempre cantando as mesmas músicas de sempre: músicas de Lulu Santos e Zélia Duncan fazendo parte de trilhas sonoras de novelas, Carlinhos Brown de cocar quando se quer falar de Bahia, figurantes vestidos de preto com cabelos coloridos para estereotipar o rock… Mas, se você está lendo esse texto, neste site, é porque você é, no mínimo, um apaixonado por música que pensa: “Há muito mais que isso por aí. Por que os grandes meios de comunicação não apresentam coisas novas ou, pelo menos, algo que não seja mais do mesmo?”

Sejamos sinceros: os meios de comunicação mainstream, do jeito que atuam hoje em dia, não são para nós. Foi-se o tempo em que podíamos contar, por exemplo, com uma rádio segmentada (que toque apenas rock, por exemplo) para que seus DJs, sempre antenados, nos recomendassem novos sons, bandas em início de carreira, tendências que surgem em outras regiões do país ou de outros países. Se algo assim acontece nos dias de hoje, devemos bater palmas. A última vez em que ouvi rádio foi em 2012, quando a 89FM voltaria à ativa, e me impressionei quando a peguei tocando os discos do Soundgarden e do Linkin Park que eram lançados naquele mesmo ano.

Quer saber? Ainda bem que o mainstream não é pra gente. Os caminhos que temos hoje em dia são virtualmente infinitos através da Internet, mas eles exigem que você tenha muita disposição para trilha-los. Serviços de streaming como Spotify, Deezer e Rdio estão lotados de novos artistas e sites como Bandcamp, Revebnation e PureVolume estão atuando como eficientes plataformas de lançamentos e curadoria de sons. E esses são apenas alguns pontos de partida que podem te levar a conhecer inúmeras “bolachadas” a serem compartilhadas aqui no Troca o Disco.

E então? Qual pacote de bolachas você vai abrir primeiro?

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