O Netflix me surpreendeu ao mostrar, em seus destaques, uma figura bem conhecida: a inigualável Nina Simone. Dona de uma voz ímpar e personalidade fortíssima que já se impõe mesmo a quem nunca a escutou: basta olhar para uma de suas fotos e perceber que não era uma pessoa fácil de se lidar. Talvez esse seja o grande carma dos gênios e lendários.

Este documentário de 1:42h nos transporta ao mundo segregado dos EUA, tão presente quando pesquisamos alguma figura carimbada do blues ou do rock primitivo. O racismo exacerbado dava a pessoas como ela duas opções: baixar a cabeça ou levantar a voz. Ambos tinham consequências, às vezes dramáticas, como foi com Martin Luther King. Nina foi uma forte ativista pelos direitos civis dos negros e bastante radical, usando o microfone para falar coisas que mesmo hoje seriam assustadoras. Imagine naquela época!

Sua vida pessoal foi profundamente afetada pela profissional, que por sua vez sofreu as consequências de seu ativismo. Por muito tempo se sentiu exausta pelos compromissos, criando uma relação difícil com seu empresário e marido. Os desabafos sobre a violência doméstica são inevitáveis e tudo se agravou com seu transtorno bipolar. Mudou-se para a África e para a Europa, um reflexo de sua mente sempre perturbada. Mas os verdadeiros fãs jamais a abandonaram. Morreu aos 70 anos, na França e entrou definitivamente para a história.

Nina possuía uma sonoridade única, mágica e sombria, firme e intensa. Um poço de personalidade e atitude. Impossível não se deixar envolver. Confira abaixo o trailer e corra para assistir ao filme.

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