Em 50 anos de carreira no mundo da música, esse cara acumulou 14 Grammys em sua estante e trabalhou com artistas como John Coltrane, Quincy Jones, Frank Sinatra, Ray Charles, Tony Bennet, B.B. King, Bob Dylan, Paul Simon, Paul McCartney, Billy Joel, Barbra Streisand, Bono Vox e muitos outros. Se você nunca ouviu falar do produtor musical Phil Ramone, faça da leitura de GRAVANDO! Os Bastidores da Música a sua prioridade.

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Antes de mais nada: não, Philip Ramone (“Phil” para os amigos) não tem nada a ver com a querida banda de punk rock. O produtor musical, engenheiro de som, compositor e violinista nasceu na África do Sul em 1934 e, para nossa sorte, nos deixou esse livro, escrito em parceria com Charles L. Granata, lançado em 2008, antes de morrer em 2013. O objetivo? Responder a todas as perguntas que os curiosos tem para os produtores musicais: Como é o processo de gravação de um disco? Como é o clima de um estúdio durante a gravação? Quão difícil é captar o som dos instrumentos? Tal artista é um cara legal quando está cantando no estúdio ou é um pé no saco? Phil responde a tudo isso e muito mais enquanto conta histórias de sua vida naquela cadeira atrás da mesa de som – e pode acreditar: são MUITAS histórias!

“Onde quer que eu vá, fico impressionado com a curiosidade, tanto dos amantes de música mais delirantes como dos mais sérios, a respeito dos discos que amam. (…) As respostas a essas perguntas são a minha razão de viver, e fico grato por as pessoas serem fascinadas pela mágica por trás daquilo que nós, produtores e engenheiros de som, fazemos. Assim sendo, este livro é sobre a produção de discos: como eram produzidos quando eu comecei, na década de 1950, e como os produzimos hoje, e tudo o que foi feito nesse interim.”

Não se engane: não se trata da biografia de Phil Ramone, muito menos de um livro didático sobre produção de um álbum. A narrativa do livro torna-se muito mais valiosa que qualquer um dos dois tipos de texto, já que Phil (quase que literalmente) conversa conosco como se estivéssemos na mesa de um bar, batendo papo sobre música e ele estivesse contando seus causos, como naquela vez em que ele estava no estúdio com Frank Sinatra e o cantor simplesmente “travou” por três dias seguidos sem emitir uma nota sequer – foi necessário todo um trabalho psicológico até que, no quarto dia, o velho “old blue eyes” chegasse triunfante e presenteasse a todos no estúdio com uma performance incrível. Ou aquela vez em que ele foi responsável pelo som do show de Simon & Garfunkel no Central Park e, contrariando as autoridades locais, Paul Simon simplesmente mandou que ele aumentasse o som dos autofalantes para que a parte de trás do público também pudesse ouvir. “Pode subir, Phil”, dizia Paul com todas as letras no microfone! Você vai ficar impressionado com cuidados que ele tinha em seu estúdio, o A&R Recording, como o fato de que, quando um artista usava um microfone, ele era separado uma e exclusivamente para aquele artista e ninguém mais além dele o usaria, e se emocionará com a narrativa de todo o processo de gravação do último álbum de Ray Charles, Genius Loves Company – em especia, a faixa Sorry Seems to Be the Hardest Word, em parceria com Elton John.

“Quando Elton ouviu a primeira mixagem da canção, percebeu que um dos editores no Pro Tools havia eliminado uma respiração – um pequeno suspiro – e disse: ‘Não, não, não. Essas coisas não podem ser eliminadas. Vocês podem querer a mixagem mais limpa por algum motivo técnico, mas não é o que eu e Ray queremos.’ Quando ouviu a mixagem seguinte, dava para ver que ele estava comovido. Na metade da canção, vi seus olhos se encherem de lágrimas. Elton se virou para John Burk e para mim e disse ‘Esse é um dos momentos mais significativos da minha carreira.’”

Ser produtor musical é muito mais do que pilotar uma mesa de som: é fazer parte do processo de composição, é ser um pouco cientista louco dentro do estúdio, é arranjar soluções inusitadas para problemas inesperados, dar uma de psicólogo, pai, babá e amigo do artista durante todo o processo de gravação de um disco que pode durar meses, é se preocupar com aquela obra musical como se ela fosse sua, porque de fato um pouco dela é. E Phill Ramone sabia disso, seja em um álbum, em um show na Broadway, na trilha sonora de um filme ou na gravação de um show. Sua paixão pela música e cuidado com seus trabalhos são tão cativantes quanto os relatos deste livro e é por isso que GRAVANDO! Os Bastidores da Música é essencial na estante de qualquer musiqueiro.

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