– Alô, Cazuza?
– É.
– Aqui é o Guto. Tenho uma banda de rock e quem me deu teu telefone foi o Leo Guanabara. Chamamos o cara pra cantar, mas ele não tem muito a ver com o nosso som. E ele nos indicou você. Você canta?
– Depende. O quê?
– Ah, é rock, né?
– Canto, sim. Quando vai ser?
– Amanhã você pode?
– Ah, claro que posso.

Assim surgiu uma das melhores bandas de rock da história do Brasil. Em 1981 surgia o Barão Vermelho, formado por Cazuza, Frejat, Dé, Maurício e Guto Goffi, coautor deste grande livro juntamente com Ezequiel Neves, o “Zeca Jagger”, produtor, compositor, colunista musical, crítico e uma porção de outras coisas, e o jornalista Rodrigo Pinto, que acumulou experiência no Jornal do Commercio, O Dia, Globo Online, TV Cultura, Multishow, etc. Além deles, temos a contracapa por Zeca Camargo, a orelha (de Dumbo) por Ney Matogrosso e a última página, relativa ao CD incluso, por Roberto Frejat. Muita gente que sabe do que está falando.

Como é de costume, a Globo fez um livro com jeito de revista, com muitas páginas cheias de fotos, textos complementares, em diferentes tamanhos de fonte e folhas em papel mais caro, fazendo com que o livro reduzisse seu volume a no mínimo uns 60%, se fosse publicado numa editora como a 34. Também temos trechos do próprio texto repetidos com maior destaque, como numa revista. Visualmente o livro é muito bom, mas peca em não por legendas nas imagens, que incluem desde fotos e ingressos a trechos recortados de jornais. Os créditos de cada uma estão no final do livro.

Ler um livro hoje em dia é diferente de 20 anos atrás: uma obra como esta deve ser sempre amparada pela internet. há muitas entrevistas, shows e discos para se baixar e conferir de perto, clareando o texto. Um bom exemplo é o conteúdo do CD, contendo duas fitas-demo do início da carreira: assim como os próprios integrantes, achei esse registro melhor que o primeiro disco da banda, que perdeu um pouco da essência ao ser mixado e masterizado sem a presença dos integrantes. Não é difícil encontrar o primeiro disco do Barão para ouvir e comparar.

O livro cobre desde o início da banda até sua última “parada por tempo indeterminado”, logo após o CD/DVD MTV ao Vivo (2007). A saída, seguida pela morte do Cazuza, e eleição de Frejat para os vocais, as demais desistências, até a última formação, que foi a mais duradoura. Problemas com drogas, obviamente não poderiam faltar, afinal, trata-se de uma banda de rock. E uma das melhores, diga-se de passagem. Já deixaram o patamar de simples fãs dos Stones para se tornarem material de referência, e um livro como esse é fundamental para conhecê-los melhor e ter uma idéia mais clara de como funcionou o rock brazuca nas últimas décadas.

É um retrato de um apaixonado baterista, que não esconde sua grande vontade de retornar aos palcos com seus amigos. Também de uma espécie de pai da banda, que infelizmente faleceu (coincidência ou não, no exato aniversário de 20 anos da morte do Cazuza, em 2010) sem ver seus garotos voltarem à ativa, e de um grande fâ, que estréia sua carreira literária com esse tema, não por acaso. Mais uma vez me deparo com um texto que flui facilmente e, quando percebo, já sinto vontade de ter mais páginas para ler. Mais uma dose? É claro que eu tô a fim!

Barão Vermelho: Por que a Gente é Assim
Autores: Ezequiel Neves, Guto Goffi e Rodrigo Pinto
Editora: Globo
Lançamento: 2007
Nº de páginas: 312

 

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