O Futuro do Autoramas é o álbum que marca a nova fase da banda do guitarrista e vocalista Gabriel Thomaz, mas o passado desse cara, registrado no livro em quadrinhos Magnéticos 90: a geração do rock brasileiro lançada em fita cassete é tão divertido e empolgante quanto o novo trabalho.

O livro, lançado em 2016 pela editora Ideal, foi desenhado pelo ilustrador, jornalista e cartunista Daniel Juca, que também já arriscou seus dotes vocais na banda Melissa, de skapunk, e Milano, de trashcore, mas suas 224 páginas contam a trajetória do brasiliense Gabriel, que começou sua carreira no meio underground durante os anos 90 com a Little Quail and the Mad Birds. Tendo os caras do o Little Quail viajado para várias cidades brasileiras e feito amizade com sabe-se lá quantas outras bandas independentes de cada localidade, Gabriel colecionou uma respeitável quantidade dessas fitas magnéticas que registravam uma riquíssima época do cenário do rock alternativo brasileiro. Ao contar sua história nesses quadrinhos, Gabriel nos traz também uma “linha do tempo” de tal cenário.

livrogabriel

Em tempos pré-internet, as bandas pagavam estúdios para gravarem suas músicas e, depois, copiarem em fitas K7 (as famosas “fitas demo”) a fim de serem vendidas em lojas de discos e nas portas de seus shows e distribuídas para pessoas influentes no meio musical com a esperança de, quem sabe, conseguirem a atenção de uma gravadora que pudesse curtir seu som e aborda-las com um contrato. Quando duas ou mais bandas se encontravam, era muito comum que elas trocassem fitas como se troca cartões de visita. Ao ler essa magnética história, você verá que Gabriel testemunhou o nascimento de inúmeras bandas que fizeram/ fazem sucesso em território nacional – já imaginou ter na sua estante as fitas demo de nomes como Raimundos, Charlie Brown Jr. ou Los Hermanos, anos antes de eles lançarem seus primeiros álbuns?

Mais do que as fitas demo, no entanto, o grande atrativo daquelas bandas eram suas apresentações ao vivo. Gabriel relata com empolgação várias histórias e “causos” interessantíssimos que retratam as loucuras que esses espirituosos jovens dos anos 90 aprontavam nos palcos de casas de shows muito suspeitas pelo Brasil e também fora deles – cada viagem que uma dessas bandas fazia para outra cidade a fim de tocar na mesma noite que outras bandas locais ou participar de um dos muitos festivais alternativos que haviam naquele tempo daria um livro à parte!

Muita música! (fonte: facebook.com/magneticos90)

O público mais jovem ou que não é tão ligado no rock nacional provavelmente estranhará os nomes de inúmeras bandas que Gabriel apresenta em Magnéticos 90 e nem faz ideia que esse caldeirão de fitas K7 deu início a muita coisa que pode curtir hoje, afinal, não é todo dia que podemos ver Donida e Jimmy, do Matanza, vestidos com “sombrero” e poncho em uma banda chamada Acabou La Tequila ou o BNegão, que começou a fazer sucesso no Planet Hemp, cantando um som mais a la Red Hot Chili Peppers em uma banda chamada Juliete enquanto, paralelamente, gritava “Marieta, libera sua rima” ao lado de mais nove caras no palco com o Funk Fuckers.

Esse cenário é tão rico que dá frutos até hoje: voltando ao início desse texto, a atual fase do Autoramas está intimamente ligada ao assunto, pois a nova formação da banda é composta pelo baixista Melvin (ex- Carbona, Funk Fuckers, Cabeça, Leela entre muitas outras), o baterista Fred (ex-Raimundos) e a guitarrista e cantora Érica Martins (ex-Penélope), além do próprio Gabriel. Isso só mostra que você ainda sequer terminou de ouvir o lado A dessa fita.

O Autoramas de hoje é fruto da geração magnética dos anos 90

O site do livro traz, além do link para compra direta, as fitas demo digitalizadas de algumas das bandas que Gabriel Thomaz cita em suas histórias para você ouvir online. Aperte o “play” para conhecer um pouco dessa divertida fase do rock brasileiro que a grande mídia nunca mostrou e divirta-se!

Magnéticos 90: a geração do rock brasileiro lançada em fita cassete
Autores: Gabriel Thomaz (texto) e Daniel Juca (desenho)
Editora: Edições Ideal
Lançamento: 2016
Nº de páginas: 224

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