Depois de mais uma jogada de marketing barulhenta e bem sucedida, o Radiohead lançou seu mais recente single, Burn the Witch. Ouça:

O título desse artigo é propositalmente ambíguo, pois posso estar falando tanto da nova música da banda inglesa quanto de sua mais recente jogada para chamar atenção para seu lançamento: o clipe foi lançado algumas horas após todo o conteúdo das redes sociais da banda ter sido apagado, gerando burburinho na Internet.

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Ei! Cadê o Radiohead que estava aqui?

Dias antes, alguns privilegiados receberam uma estranha correspondência com os dizeres “Sing the song of sixpence that goes/ Burn the witch/ We know where you live” (algo como “Cante a canção de seis centavos que sairá/ Queime a bruxa/ Nós sabemos onde você mora”)

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O Radiohead sabe onde você mora!

O Radiohead é uma banda que possui bom número de fãs fiéis pelo mundo (daqueles que guardam o vinil de OK Computer em um altar no meio da sala) e, em parte, é por isso que eles se mantém ao lado dos caras: eles sabem instigar, despertar o interesse de tempos em tempos, falar a língua de seu público. É claro que, quando as primeiras pessoas que receberam as correspondências compartilharam a “mensagem secreta” nas redes sociais, todo mundo já tinha adivinhado que viria, no mínimo, uma música nova para anunciar o próximo álbum do grupo, mas o que importa aqui é que eles se dispuseram a propor essa “brincadeira”, uma comunicação próxima com o fã.

Comunicação essa que resultou na polêmica decisão do esquema de oferecimento “pague o quanto quiser” do álbum In Rainbows, de 2007. Naquela época, quando os consumidores reclamavam do preço abusivo dos CDs e as gravadoras choravam que perdiam dinheiro com a pirataria digital via torrentes, os ingleses simplesmente disponibilizaram seu mais recente álbum de então em seu site e deram opções de remuneração para seus fãs, que podiam pagar de zero a 99,99 libras esterlinas para receber um email com o link para download dos arquivos MP3. O Radiohead não revela se a proposta foi comercialmente um sucesso ou não, mas o álbum chegou ao topo das paradas americana e britânica. Mais tarde, bandas como Nine Inch Nails, Bad Religion e até Prince viriam a se inspirar na ideia para lançarem alguns de seus trabalhos.

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“Quer pagar quanto?” O esquema de oferecimento de In Rainbows polemizou o mercado na época

O que podemos aprender com tudo isso? Em tempos de música digital, que você briga pela atenção do seu ouvinte, que anda cada vez mais dispersa – não apenas pela grande quantidade de sons para ouvir, mas pela grande quantidade de entretenimentos que concorrem com a própria música, como cinema, games, etc. – não basta apenas o círculo vicioso de “lançar álbum/ fazer show”; é preciso estabelecer um diálogo frequente com o seu fã, na linguagem dele, para que ele nunca te esqueça e se mantenha sempre curioso a respeito da sua nova empreitada. Não é à toa que existem pessoas que viram o OK Computer em direção à Meca todos os dias ao amanhecer e agradecem a Thom Yorke por mais um dia…

 

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